Não é muito, mas ajuda na hora do aperto. Para quem recebe o seguro-desemprego - entre R$ 465 e R$ 870 - vale tudo para fazer o benefício render mais. É hora de fechar a mão e reduzir gastos.
Cortar o supérfluo, como TV a cabo, festas e viagens e comprar produtos mais em conta. Com isso, o seguro ajuda a manter em dia as dívidas “obrigatórias”, como luz, aluguel e água.
Há uma semana o governo federal anunciou a ampliação do número máximo de parcelas de cinco para até sete meses para os setores mais afetados pela crise, entre eles os de calçados, couro, borracha, agricultura e confecção ligados à região de Franca. A notícia surgiu como um alento a quem conta com o benefício para equilibrar a vida financeira enquanto não encontra outro trabalho.
É o caso do auxiliar de serviços gerais Alvimar Cardoso, 41.
Demitido há cerca de três semanas, ele já deu entrada no seguro, mas sabe que deve receber a primeira parcela só em março e vê com preocupação as contas se avolumando sobre a mesa. “Trabalhei como caseiro por quase dois anos e recebia R$ 608 (mensais). Agora serão R$ 530, por cinco meses. Já ajuda, mas não é o suficiente”, disse ele. Entre as dívidas estão o aluguel de R$ 220, o cartão de crédito - R$ 250 -, a mensalidade de R$ 240 do financiamento de uma moto e talões de água e luz, que somados chegam a R$ 80. “Isso sem contar a comida”. Para complementar a renda, Alvimar tem feito “bicos” na roça, com o que chega a ganhar R$150 por semana.
Já o moldador Tafines Windson Tranquilini Pavani, 22, mora com a mãe e não tem tantos compromissos. Seu rendimento encolheu de R$ 594 para R$ 474 e ele agora se esforça para economizar. “Estou correndo atrás, mas não tenho ideia de quando vou voltar a trabalhar. Já cortei todos os meus gastos extras e reduzi um pouco minha colaboração em casa”, disse.
ATENDIMENTOS
Em média 200 trabalhadores procuram diariamente a Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Franca para pedir o seguro-desemprego. Só em janeiro, foram registrados 4.156 pedidos do benefício, número 40% maior que no mesmo período do ano passado.
De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), a indústria está retomando a produção este ano em ritmo mais lento que 2008 - em janeiro foram criados 1.201 novos postos de trabalho na cidade ante os 1.668 do ano anterior - e ainda há um exército de cerca de 2,5 mil desempregados.
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