Depois do susto, a hora de limpar e consertar


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Menino observa fios de alta-tensão que foram rompidos no meio da rua na Vila Tótoli
Menino observa fios de alta-tensão que foram rompidos no meio da rua na Vila Tótoli
O dia seguinte à tormenta foi de faxina, reparo dos estragos e contabilidade dos prejuízos. A não ser o drama das pessoas atingidas, poucos sinais indicavam que a zona norte da cidade tinha sido tão castigada pelos fortes ventos e chuva. A maior parte das árvores caídas já havia sido recolhida. Bombeiros trabalharam até depois das duas horas da madrugada para efetuar os cortes das que estavam em PQI (Perigo de Queda Iminente). “Tivemos ocorrências excessivas envolvendo quedas sobre carros, residências e poste de iluminação elétrica. O trabalho foi cansativo devido às situações adversas. Tivemos de subir em telhados finos e molhados. Felizmente, não houve vítimas. Apenas perdas materiais”, comentou o sargento Borges. Na manhã de ontem, ainda era possível ver algumas árvores caídas em terrenos ao longo da Avenida Willian Azzuz, no Bairro Miramontes. Na mesma via, funcionários da CPFL subiam em postes para reparar a rede danificada pelos ventos. Na Rua Guaianases, Jardim Martins, o encanamento estourou e a água ficou jorrando o dia todo. “Não conseguimos localizar ninguém da Sabesp para efetuar o reparo”, contou um morador do bairro. Como muitas ocorrências não foram comunicadas aos bombeiros, não há um número oficial de casas destelhadas. O que não faltam, porém, são pessoas para contar histórias. “Só ouvi o estrondo das telhas caindo. Foi tudo muito rápido. Agora, é contar o prejuízo e consertar o estrago. Entrou muita água dentro de casa. O fio do telefone arrebentou”, contou o aposentado Fernando Silveira, morador na Rua Sérgio Alves de Toledo, Leporace I. Seu vizinho Claudinei Borges Malta estava dormindo na hora da chuva e acordou assustado. “A caixa d’água estourou e a água invadiu minha casa. Quebrou todo o telhado. Não sei como vou fazer para consertar os estragos”. [FOTO2] A dona-de-casa Isabel Caparelli, que teve de interromper a viagem pela metade por causa dos danos causados em sua residência, também passou a segunda-feira trabalhando. Enquanto o marido cuidava do reparo do telhado, ela se encarregava da limpeza. “Desceu muito barro para dentro da casa. Está dando um trabalho danado para limpar. Dá uma angústia enorme, uma vontade de chorar. É muito triste perder as coisas que a gente foi conquistando aos poucos”. Moradora no Jardim Ipanema, Maria Aparecida da Silva não teve como ficar dentro de casa e contou com a boa vontade de parentes e vizinhos. “Estou afastada do serviço e ganho pouco. Não tenho condições e preciso de ajuda para refazer o telhado. É só voltar a chover que ficamos assustados de novo”.

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