Menos de 24 horas depois do temporal que assustou a população da zona norte da cidade, o vento e a chuva forte deixaram novos rastros de destruição na mesma região. Desta vez, o bairro mais atingido foi o Jardim Luiza II. O vento derrubou árvores, destelhou dezenas de casas e colocou muros de residências chão abaixo. Não houve vítimas, mas o susto e o prejuízo material, garantiram os moradores, foram grandes.
A chuva começou por volta das 14 horas, acompanhada de vento forte. Durou pouco mais de 30 minutos. Tempo suficiente para causar pânico entre moradores. “Foi horrível. A gente via telhas voando”, disse a doméstica Maria das Graças Couto. Assim que o temporal deu trégua, o Corpo de Bombeiros começou a receber chamados. Foram 26 apenas naquela região - algumas do Jardim Paineiras, mas a maioria do Luiza II.
O motorista Ricardo Barsanulfo e a sua mulher, Rosimeire Silva, não estavam em casa no momento do temporal. Eles haviam deixado três filhos menores - 3, 6 e 8 anos - com uma prima. Ricardo estava justamente ajudando seu pai, na Vila Santa Terezinha, a consertar parte do telhado da casa dele que havia desabado no dia anterior. Rosimeire estava trabalhando.
O casal chegou no imóvel, que fica na Rua Mariana Rufino, minutos depois do temporal. Encontrou os filhos abalados. Um dos quartos ficou totalmente sem telhas e parte do madeiramento. Em outros cômodos, como sala e cozinha, muitas telhas se quebraram. A casa, recém construída, ficou tomada pela lama. A família perdeu móveis, colchões e os materiais escolares das crianças. “Fiquei arrasado. As crianças estavam em pânico. Se trancaram no banheiro porque era o único cômodo com laje. Gritaram muito. Temiam que a casa fosse ao chão”, disse Ricardo.
Não longe dali, na Rua Geraldo Monteiro, um muro de mais de dois metros de altura caiu sobre um carro. Roseli Silva Alves ouviu o barulho, abriu a porta da sala e deparou-se com a cena. Seu automóvel, um Escort, ficou completamente destruído. Vidraças das janelas também foram atingidas por tijolos. “Em toda a minha vida nunca passei por uma situação desta”, disse ela, que mora com o marido e a filha de 1 ano. Até as 18h30 de ontem, ninguém ligado à Prefeitura de Franca havia visitado as famílias do Jardim Luiza e bairros adjacentes.
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