Do professor de ginástica que acompanha o aluno em seus treinos ao profissional de moda que faz compras para clientes especiais, há uma fatia do mercado de trabalho pronta para ser explorada. As ocupações buscam atender às necessidades de quem não tem tempo ou disposição para determinadas atividades e não se importa em pagar a mais por um serviço exclusivo. É o "personal", adjetivo que agrega valor a diversas profissões, algumas bem originais...
Imagine ter um trabalho bem remunerado que lhe permita usar a criatividade enquanto ganha dinheiro fazendo compras por exemplo. Este é o mundo do estudante de moda e personal shopper Filipi Raiz!
Aos 20 anos, Filipi conta que descobriu a profissão por acaso através de uma amiga francana, em julho do ano passado. "Ela me contou que tinha uma pessoa que fazia as compras para ela no Rio de Janeiro, onde passa grande parte do ano. Quando me descreveu os serviços, tive certeza de que faria aquilo muito bem e decidi investir", explicou. A iniciativa deu muito mais do que certo. "Por enquanto acredito que sou o único na região", contou.
Segundo ele, as clientes não pagam para que ele lhes dê conselhos sobre o que vestir ou comprar - serviço de um personal stylist. Apenas dizem o que imaginam e ele corre atrás de modelos com os melhores preços. "Atendo 27 mulheres nas cidades de Franca, Ribeirão Preto, Sertãozinho, Uberaba e Uberlândia. Com as que tenho mais intimidade até emito opiniões sobre cores e caimento, mas o meu trabalho mesmo é de pesquisa. Elas pagam pela comodidade de não terem que bater perna por aí", disse.
A mordomia tem seu preço. Filipi cobra em média R$ 1,4 mil reais por atendimento. "Parece muito, mas funciona quase como uma `ajuda de custo`. Esse dinheiro é gasto nas viagens que faço para São Paulo, Ribeirão Preto e Belo Horizonte à procura das peças. Um vestido chega a custar R$ 20 mil", explicou o personal.
Agora amplie esse horizonte. O mercado pode ser descrito como eclético. Além de roupas e acessórios, você pode se especializar em fazer compras (de supermercado mesmo!) para famílias que não têm tempo para isso, em comprar roupas e móveis para gente muito rica, em achar presentes perfeitos para empresas darem a clientes importantes ou em fazer compras para idosos com dificuldades de locomoção. "Não há necessidade de nenhuma formação especial, mas bom gosto é indispensável", finalizou Filipi.
O TRADICIONAL
A profissão mais conhecida como “personal” é a do professor de ginástica. É comum encontrá-lo nas academias para cima e para baixo acompanhando apenas um aluno. Na esteira, nos aparelhos, na hora do alongamento, lá está ele!
O francano Cleiton Carrijo, 28, é um deles. Formado em Educação Física pela Unifran há cinco anos, ele conta que a hora/aula de um personal varia de R$ 20 a R$ 25, valor em média 30% maior do que o de uma aula normal. "Trabalho cerca de dez horas por dia em três academias, tenho 12 alunos de personal e apenas três horários vagos em minha agenda", disse.
As aulas devem incluir a elaboração de um programa de treinamento e avaliações periódicas. "As pessoas geralmente procuram um personal quando não conseguem malhar sozinhas ou têm preguiça. Desse modo a gente pode cobrar mais esforço do aluno e o resultado é mais rápido", explicou.
Para se tornar um personal trainer não é necessária especialização, mas a atualização profissional é sempre recomendada. "Já fiz perto de 15 cursos desde que me formei, a maioria em `treinamento desportivo` voltado especialmente para esses alunos", disse Cleiton.
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