Cadeia de Pedregulho é refúgio para estupradores


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‘VANTAGEM’ - Cada uma das três celas da Cadeia Pública de Pedregulho abriga cerca de 11 presos - em Franca, cada cela tem em média 17 detentos.  Há beliches e banheiro em cada alojamento
‘VANTAGEM’ - Cada uma das três celas da Cadeia Pública de Pedregulho abriga cerca de 11 presos - em Franca, cada cela tem em média 17 detentos. Há beliches e banheiro em cada alojamento
Rua Eliseu Alves Teixeira, 360, Centro de Pedregulho. Ali fica a Cadeia Pública de Pedregulho, o endereço seguro dos estupradores da região. A proximidade com Franca e a densidade populacional menor do que a da Cadeia do Jardim Guanabara transformaram a delegacia daquela cidade no abrigo para os acusados de crimes sexuais ou que causem revolta nos outros presos. Afastados daqueles que poderiam usar as próprias mãos para “fazer justiça” contra eles, os estupradores têm como companheiros apenas outros de nível semelhante e os chamados “ladrões de galinha” - presos por crimes pequenos - de Rifaina, Jeriquara e da própria cidade. Estão lá protagonistas de crimes de grande repercussão como o homem que estuprou e matou Lílian Cristina Arias, 14, na terça-feira dia 2, e o assassino de Kênia Bazon. Também foram levados para Pedregulho os desempregados que estupraram violentamente uma empregada doméstica na madrugada de sábado em 17 de janeiro, entre muitos outros autores de crimes de grande repercussão (leia mais no texto de apoio). Com capacidade para 14 presos, mas média de 35 ocupantes, a Cadeia de Pedregulho tem cerca de 11 presos em cada uma de suas três celas, enquanto a do Guanabara tem cerca de 450 presos divididos em 26 celas. Média de 17 por xadrez. Fábio Branquinho, delegado responsável pela unidade, garante que as “vantagens” param na segurança e que a rotina é exatamente igual à da Cadeia do Guanabara. “Eles têm café da manhã, almoço, jantar, lanche, uma visita por semana e até banho de sol. A única diferença é a lotação e a distância dos outros presos que não aceitam este tipo de crime”. Em três celas de 6 x 6 metros com beliches e apenas um sanitário, os presos precisam, segundo o delegado, manter um comportamento que mereça a permanência no “seguro”. “Quem vem pra cá não pode ir para Franca e eles sabem que se derem problema, a gente devolve para lá. É a reciprocidade. A gente acolhe desde que não deem problema”, disse. [FOTO2] Um sistema informal de seleção dos novos “hóspedes” também evita que a paz e a boa convivência entre os presos sejam comprometidas. Enquanto o delegado avalia individualmente os pedidos de transferência, descartando os mais perigosos, alguns criminosos evitam o lugar a qualquer custo. “O bandido comum não quer ficar junto de um criminoso sexual porque perde ‘prestígio’”. A segurança de autores de crimes tão repulsivos não é permanente, já que depois que a condenação é confirmada eles são levados para penitenciárias, onde a sua proteção é mais difícil.

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