Saudade. Substantivo feminino que faz parte do dicionário diário de qualquer universitário. A lembrança da família, dos amigos, da namorada, do quarto e da casa do pai exige soluções. A tecnologia é a arma para ficar perto de quem se gosta. Os métodos são vários (veja quadro ao lado). O velho e bom telefone, ou celular, é o primeiro e mais fácil meio de se ter notícias dos parentes e vice-versa. Até porque, na maior parte das vezes, é o pai ou a mãe quem liga para saber se o estudante já almoçou, jantou, está dormindo bem, estudando ou se adoeceu. O ponto negativo é o custo.
Quase sempre usar o telefone significa alto impacto na conta ou na compra de cartão telefônico. Dependendo da distância, nem ligação a cobrar é fácil de se fazer porque há algumas limitações de tempo impostas pela operadora de telefonia, que não mantém um telefonema com discagem a cobrar por mais de 10 minutos a até 50 minutos. É preciso que os números estejam cadastrados para evitar que no meio de uma conversa o sinal seja cortado.
Mariana Povoa Silveira, 23, no 2º ano de residência de Medicina Veterinária da Universidade de Franca, sente no bolso os reflexos da saudade. "Ele faço ligação para Araguari (MG), onde moram meus pais, Ribeirão Preto e São Paulo, onde está meu namorado. Minha conta não fica menos de R$ 200", disse.
Thatiana Fortuna, 24, trabalha no Hospital Veterinário da Unifran. Apesar da mãe ter aprendido a lidar com o computador, todos os dias recebe ligações em seu celular. Inclusive durante a entrevista, na noite do dia 12 deste mês, em dado momento a estudante viu seu aparelho tocar. "Mãe, tudo bem? Estou dando entrevista para o jornal da cidade sobre como faço para falar com a senhora. Pode deixar que comentei que a senhora aprendeu a usar o computador e depois vou guardar um jornal para te mostrar", contou a jovem, sorridente, natural de São Paulo. "Ela me liga todo dia", completou.
Do ponto de vista financeiro, há opções bem mais interessantes. Usar um computador, internet e comunicadores de mensagem instantânea, entre os mais conhecidos MSN e Skype, fica muito mais em conta. O contratempo é o desafio de alguns em enfrentar novas tecnologias. Alguns pais não se acostumam ao PC, mesmo com a insistência dos filhos e a tentativa de ensiná-los.
Leonardo Mamão, 24, no 1º ano de residência em Medicina Veterinária da Universidade de Franca, tentou de todo jeito fazer sua mãe aprender a mandar e-mails e conversar no MSN. "Eu tentei, mas não teve jeito. Minha mãe mora em Belo Horizonte (MG) e até consegue encaminhar aqueles e-mails de correntes, mas escrever uma mensagem não dá certo. Tive de ficar com o bom e velho telefone. Não gasto muito. Agora eles gastam porque acabo ligando a cobrar para lá", falou o universitário.
Thiago Araújo de Brito, 24, aluno do 2º ano de Direito, e Rafaella Alves Costa Pinto, 20, caloura em Odontologia, ambos da Universidade de Franca, sabem muito bem que a tecnologia encurta as distâncias. Os dois são namorados e vieram de Belém (PA). Para voltarem a suas casas eles gastam 52 horas de ônibus ou seis horas de avião. "Ensinei minha mãe a usar o MSN e agora é assim: se o computador estiver ligado, toda hora é ela, ou alguém chamando a gente", contou Rafaella. "Ao ver a casa pela webcam, tem vez que uma ou outra reclama até que a gente não arrumou a cama, quando veem pelo vídeo", disse Thiago. A família dos estudantes nunca esteve em Franca.
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