Apesar de trágicas, as histórias de Stephane e Robson são exceções no universo de mais de 50 travestis existentes no município, segundo estimativa da Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo os travestis ouvidos pela reportagem, quase todos já fizeram aplicações de silicone industrial mais de uma vez e em diferentes épocas, mas poucos tiveram problemas sérios. Fabiana Faleiros, 39, que hoje tem oito litros do produto espalhados pelo corpo, começou a modelar as formas em 1993. “A primeira vez fui para São Paulo e ‘fiz’ os seios. Na segunda, coloquei três litros de silicone nas coxas e outros tantos nos quadris e bumbum. Minha última aplicação foi feita há cerca de dois anos. Até no rosto eu pus para aumentar as maçãs e deixá-lo mais quadrado”.
Ainda de acordo com Fabiana, o problema que teve em todos esses anos foi com necroses (apodrecimento de tecidos) na pele de algumas partes que receberam o produto. “Fora isso, nos dias em que ‘bombei’ tomei apenas um analgésico para aliviar as dores causadas pelas agulhas. Alguns colegas dizem ainda ter um pouco de febre, mas nunca senti nada”, disse.
Fabiana conta que desde que se entende por gente quis ser mulher. Aos 16 tomou a decisão de se tornar travesti e começou a se prostituir. Está fora das ruas há mais de sete anos. “Casei. Tenho uma relação estável com papelada em cartório e tudo. Agora sou dona de casa”, disse orgulhosa.
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