Com necessidades a suprir e tantos obstáculos a vencer, como viver de forma satisfatória? Vivendo; ora, bolas! Viver é estar sujeito a múltiplas possibilidades, é correr perigo. A vida é como uma equação matemática com “n” incógnitas, prefiro dizer armadilhas, das quais tentamos escapar. Viver é ter pela frente o inesperado, o imprevisível. É lutar.
A alegria e o prazer de viver dependem de encarar de forma positiva essa luta. Ter em mente que só temos adversidades porque estamos vivos, e que isso é uma benção, já é um bom começo. Para viver bem é necessário ser um bom lutador. Saber da vida, da natureza, é uma boa maneira de evitar lutas desnecessárias, de aceitar o que não é possível mudar. Tornamo-nos melhores lutadores aprendendo com e sobre a vida. Assim, viver também é aprender. Precisa ser. Mas não apenas adquirir conhecimentos, e sim aplicá-los com sabedoria.
Só há sabedoria quando os conhecimentos são incorporados às ações. Quando se luta não contra a vida, mas a favor dela e de acordo com suas regras, então é possível sentir mais leveza porque se deixa de travar batalhas contra inimigos imaginários.
Sabendo que a existência é um processo dinâmico, deixamos de ser tão resistentes às mudanças naturais. Tudo passa, tudo muda, só a vida permanece, mesmo com o perecimento do corpo. “Escuta, meu amor, o amor passou / Passou o fogo, a fome, o sonhador / Só não passou foi o sonho de amar / Que há de andar comigo até passar / Nas reencarnações da minha dor/ Talvez até se converter em flor / Pra alimentar os pássaros do tempo / Os girassóis das novas gerações / As aventuras dos novos verões / Que ainda haverá verões e primaveras, e primaveras / Daqui até o futuro do futuro / Por toda a eternidade e mais um dia” (“O amor passou”, Francis Hime e Geraldo Carneiro).
Curvar-se à natureza ajuda a ver o que é de fato relevante na vida. O bem maior é a tranquilidade do espírito, que não deve ser sobrecarregado com preocupações sobre coisas que não merecem dispêndio de energia. Todos estamos sujeitos a abalos emocionais, mas eles podem ser atenuados e superados mais rapidamente se nos conscientizarmos de que as contingências da vida não podem nos impedir de seguir em frente. A saúde física e psíquica é obtida com a limpeza do corpo e da mente. É preciso desintoxicar o organismo, com alimentação moderada e hábitos sadios, e evitar intoxicar o espírito com sentimentos e pensamentos doentios. Só é verdadeiramente livre quem tem a alma tranquila.
Com as experiências vividas, é preciso aprender a viver um dia de cada vez, a simplificar, a ter sensatez; aprender que luta não porque precisa vencer, luta porque precisa lutar; lutar pra valer, mas sem trapacear; aprender que nem sempre se ganha a disputa como se tem vontade, que não precisa tanto de inteligência quanto de bondade. Aprender a lutar por um mundo melhor, a espalhar bons fluidos para tudo que gira ao redor, pois, se é bom o que em nós abunda, é bom o que passamos para o mundo que nos circunda. Aprender a vencer a inconstância, a não se desgastar com coisas sem importância. Aprender a ter paciência, entender que o corpo é apenas o invólucro do qual nos livramos ao passar para um estágio mais avançado da existência.
Aprender que sempre há uma experiência nova, que há muitos ardis, que sempre estamos sendo postos à prova, que jamais se deixa de ser aprendiz, que velhice não precisa significar rabugice e que nunca é tarde demais para sonhar e ser feliz.
Paulo Pereira da Costa
Promotor de Justiça e autor do livro “Pensando na Vida” – paulopereiracosta@uol.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.