Sem a comidinha da mamãe


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Um x-bacon duplo com refrigerante. Pode ser um x-tudo, que é bem melhor porque vem ovo, bacon, presunto, mussarela. Com tudo às 22 horas. É fácil encontrar um carrinho de lanches com muita gente comendo o cardápio acima. Ninguém pode negar que essa alimentação é atrativa e apetitosa. Contudo um atentado para a boa saúde. A correria do dia-a-dia de um estudante ou mesmo a inabilidade de lidar com o fogão, além da preguiça, contribuem para que "comer bem" seja confrontado com "comer qualquer coisa". Apesar de já ter virado "chavão" falar sobre o assunto, nutricionistas e o próprio Ministério da Saúde se convenceram que martelar sobre boa educação alimentar é a melhor ferramenta para formar uma sociedade mais saudável. Falar do tema com estudantes do terceiro grau é, então, importantíssimo. A distância da família, que sempre tem a mãe para preparar saudosos pratos, a correria do cotidiano com estágio, trabalhos e aulas conspira para levar o universitário a comer o que dá. “Quando a gente vai para a faculdade diz-se que é a hora de aprender a fazer miojo (macarrão instantâneo)”, declarou Domênico Rodrigues Jorge, 23, aluno de História. Algumas repúblicas conseguem encontrar uma saída para o problema. Contratam uma empregada que além de limpar a casa e lavar a roupa também cozinha. Opção viável, mas que pode sair cara por não ficar menos de R$ 400 ao mês. Ir a um restaurante, nem pensar, pois na maioria das vezes não há como gastar R$ 8 em cada refeição. "O estudante que mora fora enfrenta dificuldades, às vezes financeiras, outras com o horário. A universidade exige muito do aluno. Ele não tem tempo de ficar preparando uma comida balanceada. Caso prepare não é com a variedade certa", opinou a nutricionista Isabel Pini. A nutricionista comenta que ter noção do que é certo ou não já é um começo para se adequar a hábitos mais saudáveis. Os efeitos de uma alimentação desbalanceada podem aparecer tanto em curto espaço de tempo, como só no futuro. "Se você começa a se alimentar com muito lanche, que são pratos gordurosos, pode ter um aumento da taxa de triglicérides, colesterol, pode ter um aumento da taxa de glicemia. Lógico que hábitos errados hoje podem trazer consequências futuras também", alerta Isabel. Hambúrguer e bacon, por exemplo, aumentam e muito o nível de gordura. SAÚDE PÚBLICA As desvantagens em ter uma alimentação fraca em nutrientes são um problema de ordem nacional. Para desenvolver a Política Nacional de Alimentação e Nutrição vigente, o Ministério da Saúde fez diversos levantamentos. De acordo com um deles, 20% da população brasileira sofre com hipertensão. Por isso houve recentemente uma fiscalização em diversos produtos para diminuir a quantidade de sódio. Há a ingestão média de 9,6 gramas/dia de sal quando o ideal é apenas 5gramas/dia. Dentro do mesmo plano, o ministério recorreu a um estudo realizado na Inglaterra para alertar a população. Nesse trabalho há uma estimativa de quantos óbitos podem ser prevenidos com a diminuição de certos nutrientes. Por exemplo, pouco mais de 6,3 mil pessoas podem evitar doenças se reduzir 1grama/dia de sal ou 180 pessoas ficam menos passíveis a ter isquemias do coração se diminuirem 1% de gorduras saturadas no total de calorias ingeridas.

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