Dois dias após a morte do travesti Robson Daniel Campos Chagas, 25, vítima de infecção generalizada causada pelo uso indevido de silicone industrial, o 5º DP (Distrito Policial) identificou o responsável pela aplicação do produto. Dizendo-se “arrependido” e “aliviado” com a descoberta da polícia, o também travesti e cabeleireiro ECC, 34, do Jardim Guanabara, confessou ter feito a aplicação. Ele responderá em liberdade por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e por danos contra a saúde pública. Além de Robson, o cabeleireiro admitiu que aplicou silicone em outros quatro colegas.
Robson Chagas fez aplicações de três litros de silicone industrial nas nádegas e pernas no dia 3 de fevereiro. Chagas teve complicações que o levaram a ser internado no dia 6 de fevereiro. Uma infecção generalizada seguida de parada respiratória tirou a vida do rapaz na madrugada do dia 18.
O delegado Hélder Rodrigues abriu inquérito para apurar o caso. Ontem sua equipe conseguiu chegar até o responsável pela aplicação em Robson. “Não foi fácil identificar o autor. Até a família da vítima era contra as investigações. Mas houve um crime e era nossa obrigação apurar”, disse Rodrigues.
O primeiro passo dos policiais do 5º DP foi traçar o perfil das pessoas que conviviam com Chagas. A maioria era do Jardim Guanabara. Após eliminar vários nomes suspeitos, os policiais identificaram ECC. No início, ele tentou negar, mas depois acabou confessando. “Ele (Robson) vinha me pedindo para fazer a aplicação, porque queria ter corpo de mulher. Era o sonho dele. Se não fosse eu a fazer, seria outra pessoa”, disse o cabeleireiro, que aprendeu a técnica para aplicar silicone no período em que esteve morando em São Paulo.
O cabeleireiro contou que Robson lhe deu dinheiro para comprar três litros do produto em São Paulo e que fez a aplicação sem custos. “A gente faz (aplicação) sem fins comerciais, apenas por amizade”. Para limpar o local da aplicação, foi usado álcool em gel. As dores das picadas foram amenizadas com anestésico de uso veterinário. Uma seringa com agulha injetou o silicone nas nádegas e pernas de Chagas. Para evitar que saísse, foi utilizada cola instantânea Superbonder.
Depois da aplicação, o próprio cabeleireiro levou Chagas até sua residência na Vila Santa Terezinha e disse que o visitou duas vezes antes dele ser internado. “Ele reclamava de dores e bolhas começaram a aparecer”, disse o acusado. Após a morte, ECC foi ao velório, mas não contou que havia realizado a aplicação porque seria proibido entre os travestis revelar quem realiza o “procedimento”.
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Vítima e acusado se conheceram no Jardim Guanabara, durante programas noturnos, há alguns anos. O cabeleireiro disse que eles conversavam quase todos os dias por alguns minutos e depois cada um se dirigia ao seu ponto de prostituição. ECC assumiu seu erro, mas disse que jamais imaginou que o colega poderia morrer. “A gente sabe dos riscos, mas você nunca espera que isto vá acontecer”. Ele pediu perdão à mãe de Chagas.
Colaborou Marcos de Paula
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