No coração da Amazônia


| Tempo de leitura: 3 min
Longe de casa - Márcio Dib com bicho-preguiça no leito do Paranã, próximo a Manaus
Longe de casa - Márcio Dib com bicho-preguiça no leito do Paranã, próximo a Manaus
Querendo reviver os tempos de mochileiro, o jornalista e secretário de Cultura de Cristais Paulista, Márcio Fernando Dib, 43, partiu sozinho em uma viagem pelo interior do País. Ele passou por 15 cidades diferentes incluindo algumas integradas à Floresta Amazônica, onde registrou cerca de 1,3 mil imagens fotográficas além de muitos momentos inesquecíveis. Garante ele que não correu nenhum perigo. Com uma mochila nas costas, dinheiro no bolso e uma dose de coragem e curiosidade, saiu sozinho no dia 26 de novembro de 2008 e somente retornou no dia 18 de dezembro. Foi quase um mês em uma vivência única diante de culturas e realidades sociais totalmente diferentes. De ônibus em ônibus, e às vezes de barco, ele passou por Cuiabá (MT), Porto Velho, Guajara-Mirim (RO), Guayaramerin (Bolívia), Manaus, Presidente Figueiredo, Parintins (AM), Santarém, Monte Alegre, Breves, Belém e Salinópolis (PA). A parte mais intensa da viagem começou após cinco dias de estradas revezadas entre Porto Velho e Guayaramerin. Da capital de Rondônia ele seguiu para Manaus com o Barco "Almirante Alfredo Zanan" e desceu 1261 quilômetros pelo Rio Madeira, num percurso que durou três dias e três noites dormindo em rede. Com ponto "fixo" na capital amazonense, Márcio aproveitou também para conhecer comunidades e municípios vizinhos. Foi ao Igarapé do Içaizal, distante 20 quilômetros, local em que vivem várias comunidades às margens do Rio Paranã, que deságua próximo ao encontro do Negro com o Solimões. A 110 quilômetros dali, conheceu Presidente Figueiredo, com lindas cachoeiras e grutas. Mas a viagem apenas estava começando. Márcio Dib desceu o Rio Amazonas com o Barco "Rondônia" até o Pará. Conclusão: mais quatro dias e quatro noites se amontoando em redes com pessoas desconhecidas. Foi na travessia do Estreito dos Bagres, uma das cidades que margeiam o Amazonas, que Márcio viu uma das coisas mais impressionantes de sua vida. "Uma quantidade enorme de canoas de ribeirinhos vêm em direção da embarcação. À medida que o barco se desloca, os ribeirinhos lançam ferrolhos para se agrupar. Deixam as canoas amarradas e adentram a embarcação para vender produtos da região como açaí, cupuaçu, abóboras e melancias. Muitas canoas transportam mulheres e crianças pequenas que vêm em busca de ajuda humanitária. Os passageiros atiram, nas águas, dinheiro, roupas, bolachas, doces, bonés e utensílios domésticos dentro de sacolinhas. A situação impressiona. Seria muito bonito se não fosse triste", relata. Depois de ficar em Belém, Márcio pegou um ônibus e foi parar em Salinópolis, no extremo norte do Pará, região litorânea da Amazônia. Foi lá que encontrou o desfecho perfeito do trajeto de ida, conhecendo praias que, nas palavras dele, são verdadeiros paraísos. [FOTO2] O saldo final é de uma viagem "chocante" marcada pelo contato com uma natureza ímpar e ao mesmo tempo com muitos problemas e contrastes: esgoto a céu aberto nos grandes centros urbanos e bolsões de pobreza nos entornos. "Nas áreas centrais, riquíssimos patrimônios culturais e históricos, mas muitos ainda a serem restaurados se encontrando praticamente abandonados". O mochilão de Márcio custou por volta de R$ 2,8 mil, incluindo hospedagens, passagens de ônibus, alimentação e passagem de avião na volta, entre Belém e Brasília. "Valeu a pena. Recomendo para quem tiver um instinto aventureiro".

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários