Programa Saúde da Família


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Em 10 de fevereiro o Comércio publicou reportagem sobre “inchaço” nas UBSs de Franca. A Secretaria Municipal de Saúde tenta explicar que isso se dá em função do aumento do desemprego e consequente perda dos convênios particulares. Entretanto, além dessa questão circunstancial e quiçá momentânea, o fato chamou minha atenção para um problema histórico: o modelo da saúde pública brasileira. Tenho dito que o prefeito que tiver a coragem de enfrentar as resistências e as dificuldades intrínsecas a qualquer mudança e investir na implantação da escola em período integral e no Programa Saúde da Família (PSF) será, fatalmente, aquele que fará diferença no município. Sou intransigente na defesa do PSF. Não admito o desperdício de recursos, material e humano existente no atual modelo de saúde pública que dá atenção à `doença` em detrimento de políticas de prevenção. O PSF foi criado em 1994 pelo Ministério da Saúde para mudar o nosso modelo assistencial e, quando o Ministério priorizou a atenção básica, sinalizou que o novo modelo precisava (e ainda precisa) ser mais coeso e articulado do que o existente. O PSF não é um programa isolado, mas um programa articulado com todas as demais áreas da própria saúde e com todas as demais áreas públicas. A prevenção à doença só acontece se tem um pé na Educação. Quando se formam cidadãos mais conscientes, zelosos e responsáveis produz-se, a partir deles, bem-estar individual e coletivo. Se houver também pé no Serviço Social, fazendo o mapeamento e o encaminhamento das famílias para que sejam atendidas nas suas necessidades mais básicas: moradia, alimentação, capacitação profissional, etc., a equação se fecha. Em resultado, as pessoas ficam "menos doentes". Bem, é necessário que o prefeito tenha coragem e compromisso com a mudança. Em 5 anos, as ruas recapeadas poderão estar esburacadas novamente mas, cidadãos educados sob novas políticas públicas, responsáveis e compromissadas com o desenvolvimento da comunidade, estarão irreversivelmente mudados. E para melhor! Em 1999, o prefeito Gilmar começou, apesar de todas as dificuldades da época (principalmente com a falta de profissionais com o perfil do programa - não havia, por exemplo, a especialização de "Médico da Família"), a implantação do PSF em Franca. Em 2004, quando terminou seu mandato, deixou 5 núcleos funcionando. Passados dez anos, continuamos com os mesmos `poucos` 5 núcleos do PSF, infelizmente descaracterizados e funcionando como UBSs de tamanho reduzido. O PSF pode ser considerado `caro` por muitos técnicos-burocratas e o custo é, certamente, maior na fase de implantação e de transição (do modelo curativo atual para o preventivo) mas, no final, há uma redução significativa dos gastos com a saúde pública. O sistema já foi testado em vários países com contextos culturais de diferentes dimensões e de diferentes realidades socioeconômicas, como Canadá, Reino Unido e Cuba e a resolução dos casos foi de mais de 85%. Portanto, é só ter coragem para continuar a sua implantação. Cassiano Pimentel Agente de exportação e professor universitário

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