Remédio amargo


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Nesta semana este Comércio noticiou o grande número de ações movidas contra a Prefeitura com a intenção de se garantir o acesso a determinados medicamentos e tratamentos não disponíveis no Sistema Único de Saúde. Evidentemente que pacientes e gestores públicos devem ter suas razões quando cada um defende o seu interesse, contudo no caso específico dos medicamentos o problema parece ser mais complexo do que simplesmente cumprir ou não uma determinação judicial para a compra de um medicamento não padronizado pelo sistema. É preciso compreender que o Sistema Único de Saúde é, em tese, universal e equânime de serviços de saúde e, portanto, deve permitir que todo cidadão brasileiro tenha acesso aos mecanismos de prevenção, recuperação e manutenção da saúde por ele oferecidos. O problema é que o sistema privilegia em demasia a medicalização, ou seja, as ações são na maioria das vezes curativas, o que tornam os custos com saúde cada vez mais altos e, o que é ainda pior, o sistema passa a ser cada vez mais refém da tecnologia farmacêutica, que a serviço do capital muitas vezes negligencia o necessário e privilegia o lucro a qualquer preço. Nas palavras do atual secretário da Saúde há uma verdade absoluta já comprovada por estudos realizados por pesquisadores renomados - a grande maioria das doenças pode muito bem ser tratada com os medicamentos disponíveis na rede pública de saúde, não havendo, portanto, nenhuma necessidade de se usar medicamentos modernos, caros e muitas vezes de segurança e eficácia duvidosas. Contudo não devo concordar com o argumento de que é o número de ações exigindo medicamentos diferentes dos oferecidos pelo sistema que coloca em risco a manutenção do fornecimento de medicamentos. Na opinião de muitos especialistas a essência do problema está na forma como se ofertam os serviços de saúde no Brasil. O que temos na verdade é uma porta de entrada onde não há nenhuma intenção de se monitorar e eliminar os verdadeiros fatores de agravos à saúde. No atual modelo de sistema único de saúde brasileiro o cidadão vai ao médico quantas vezes bem entender e na maioria esmagadora das vezes sai da consulta apenas com uma receita médica como única alternativa para cura de seus males. Estudos mostram que se bem analisados os casos atendidos pelo Sistema Único de Saúde poderiam ser melhor encaminhados se ao invés do exclusivo uso de medicamentos o paciente fosse submetido a um acompanhamento multiprofissional no qual os fatores responsáveis pela doença fossem monitorados e eliminados por meio de ações que muitas vezes não são de ordem farmacológica, ou seja, o paciente está doente de uma causa não tratável com pílulas, xaropes ou qualquer outra apresentação medicamentosa. O que parece pura filosofia utópica de quem acredita em Papai Noel pode ser comprovado observando-se países como o Canadá, onde a prevenção é palavra de ordem e a medicalização no sistema é uma das menores do mundo. Como experiência própria posso citar um trabalho de atenção farmacêutica domiciliar que coordenei alguns anos atrás. Durante um ano aproximadamente um grupo de pacientes recebeu visitas regulares de profissionais e estudantes de farmácia com o objetivo de acompanhar os resultados do tratamento proposto. Ao final do trabalho, pudemos catalogar diversos obstáculos à cura, sendo que a maioria deles não guardava nenhuma relação direta com o fato do paciente ter ou não ter acesso ao medicamento. Muitas vezes o paciente adoecia por problemas nutricionais, hábitos como bebida, cigarro, insalubridade domiciliar ou do trabalho. E mais, muitos dos pacientes que não apresentavam a melhora desejada tinham como característica a não adesão ao tratamento proposto ou o uso incorreto dos medicamentos prescritos. Portanto, é do conhecimento de muitos profissionais ligados à área de saúde que não basta ofertar consulta médica e medicamentos quando na verdade o que a população necessita é de educação para a saúde. Só para citar um exemplo simples e encerrar por aqui, quantas crianças são atendidas pelo Sistema Único de Saúde com problemas respiratórios tais como bronquite e asma e que são filhos de pais fumantes? Não seria mais eficaz que o sistema se preocupasse com o todo e agisse na causa primeira de tudo ao invés de medicar simplesmente? DENGUE 1 O Brasil já tem o primeiro medicamento indicado para a prevenção e tratamento dos sintomas da dengue. Trata-se de um homeopático, pesquisado, desenvolvido e produzido por profissionais brasileiros e patenteado por uma das mais tradicionais indústrias de medicamentos homeopáticos do País. Teve sua eficácia e segurança comprovadas e os resultados foram publicados em revistas científicas de grande importância no mundo acadêmico. Os estudos foram realizados inicialmente na cidade de São José do Rio Preto e em seguida repetidos no Estado do Rio de Janeiro, mas precisamente em Macaé. DENGUE 2 No último sábado estive com Renan Marino, médico especialista em homeopatia e responsável pelo estudo e desenvolvimento do inovador medicamento que acabo de contar. Na ocasião formalizei convite para que viesse a Franca proferir palestra sobre a eficácia e a segurança do uso da homeopatia no controle da dengue. Convite aceito prontamente, resta agora que sociedade e autoridades se interessem pelo tema. Alexandre H. Leonel Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br

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