Para o gerente de comercialização da Cocapec (Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas) de Franca, Anselmo Magno de Paula, os números das exportações não refletem a realidade do setor. Segundo ele, o café teve uma valorização acentuada no ano passado, assim como aconteceu com o algodão, a carne, a soja, entre outros produtos com mercado garantido, que formam a lista de commodities - produtos primários com grande penetração no mercado internacional - brasileiras.
No entanto, defende ele, o dólar baixo ao longo de praticamente todo o ano fez com que o ganho do produtor fosse muito pequeno, fator compensado pela excelente safra. Na contabilidade, dá para afirmar que o cafeicultor exportou mais, mas continuou com o valor da saca pouco alterado.
A volatilidade do mercado pode explicar melhor como funciona essa balança de perdas e ganhos. Para ilustrar, Magno de Paula usou o exemplo de quando a moeda brasileira estava desvalorizada frente ao dólar, por volta do ano 2000.
“Naquele tempo, teve saca que chegou a ser vendida por US$ 38. Já no inverso, quando era a moeda americana que sofria com a desvalorização, algumas cotações chegaram a bater em US$ 200”, disse. Apenas em um dia da semana passada enquanto a alta do dólar foi de 0,83%, a queda do preço da saca de café foi de 0,85%.
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