Sobram vagas no sistema de cotas em Franca


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De cada dez vagas reservadas para negros, deficientes e alunos egressos do ensino público nas duas faculdades municipais de Franca, menos de três são ocupadas por este público. Neste ano, das 281 abertas pelo sistema de cotas no Uni-Facef (Centro Universitário de Franca) e na Faculdade de Direito de Franca, apenas 72 estão sendo utilizadas. O restante das vagas acaba sendo transferido para a lista geral de candidatos. Entre os motivos da “não-ocupação”, estão a falta de interesse dos alunos, o alto índice de reprovação dos interessados e a falta de recursos para arcar com os custos do ensino superior. Na Faculdade de Direito, em 2009, foram reservadas 84 vagas aos cotistas. Para disputá-las, 166 estudantes se inscreveram. Somente 51 deles foram aprovados e apenas 26 efetivaram a matrícula. “A maior parte dos concorrentes não conseguiu acertar 15 das 50 questões da prova, nem a nota mínima de cinco pontos na redação que vale dez”, disse o secretário-geral da Faculdade de Direito, Hugo José Marangoni. O mesmo se repete no Uni-Facef. O Centro Universitário abriu, neste ano, 197 vagas para os cotistas. Dos 90 alunos que se inscreveram, só 46 conseguiram aprovação. Para o pró-reitor do Uni-Facef, Alfredo José Machado, os alunos que têm direito à cota não chegam com uma base mínima para prestar o vestibular. “O estabelecimento de cotas tem seus objetivos equivocados. Trabalhamos com as consequências de um ensino público com baixa qualidade. Reservar vagas não é a melhor solução para a inclusão destes alunos. O ideal é prepará-los melhor”. Mesmo que os cotistas estivessem preparados e fossem aprovados nos vestibulares, ainda assim sobrariam vagas. Em 2009, o número de interessados foi menor que o total de vagas. No Uni-Facef, as 197 oportunidades abertas atraíram 90 pessoas, a maior parte formada por egressos do ensino público. As vagas para deficientes praticamente não tiveram interessados. Somadas as abertas nas duas faculdades, foram oferecidas 47 vagas e somente um aluno se candidatou. O presidente da Adefi (Associação dos Deficientes Físicos) de Franca, Fernando da Silva, disse que o baixo nível de interesse se deve à baixa renda da maioria dos deficientes. “O nível de ensino da maior parte dos deficientes é baixo, muitos mal tiveram o ensino fundamental. Por consequência, não conseguem emprego e, assim, não podem pagar por uma faculdade”. Em 2009, não foi a primeira vez que sobraram vagas no sistema de cotas. Instituída há cinco anos, a lei que determina a reserva de 20% das vagas para negros, 5% para estudantes em escola pública e 5% para deficientes, nunca conseguiu preencher todas as vagas.

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