Em julho de 2007, cerca de 40 famílias da cidade se uniram para realizar um sonho: conquistar a casa própria. Residindo em barracos ou moradias precárias, elas participam da construção das suas próprias casas, no prolongamento do Jardim Santa Bárbara, na zona sul de Franca. Enquanto o poder público entra com o material e apoio técnico, os futuros mutuários usam sua força de trabalho.
Estas famílias participam do Programa de AutoConstrução da Prohab (Habitação Popular de Franca). A obra começou em 7 de julho de 2007. A primeira etapa está prevista para ser concluída em julho deste ano.
Entre as pessoas que participam do mutirão, está a sapateira Tábata Chayenne de Souza Gonçalves, 18 anos. A jovem trabalha todos os dias no canteiro de obras na parte da manhã. À tarde, atua como coladeira em uma banca de pesponto. Tábata mora com mais oito pessoas em uma casa no Jardim Aviação, onde pagam cerca de R$ 200 de aluguel. “Queremos que nossa casa fique pronta logo. Será a realização do sonho da nossa família”, disse. A mãe, Rosemary Cruz de Souza, 46, não pode participar do mutirão, pois passou por cirurgia em uma das pernas. Tábata representa a família no programa.
A dona de casa Ivanete Neves da Silva, 46, que mora na Vila Imperador numa casa em condições precárias, também trabalha todos os dias. A expectativa da mudança para o novo lar aumenta a cada dia. A casa onde Ivanete mora com os filhos hoje têm muitas rachaduras e infiltrações. A laje do banheiro ameaça desabar. Ela paga R$ 100 por mês de aluguel, e quer se mudar logo. “Se pudesse, vinha para cá hoje, com as casas do jeito em que estão mesmo”.
As unidades em construção ainda não receberam instalações elétricas e hidráulicas, bem como não há portas ou janelas, itens considerados como acabamento.
REGRAS
Os contemplados com os imóveis devem cumprir 20 horas semanais na construção aos sábados e domingos ou durante a semana. Cada família tem direito a apenas quatro faltas durante o projeto. A participação dos familiares é obrigatória. Mesmo quem tem problemas de saúde, como utilização de marcapasso, colabora em atividades mais leves, como a vigia de materiais.
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