Cadeia bate recorde de lotação e vira ameaça para o Carnaval


| Tempo de leitura: 2 min
SOLUÇÃO DEMORADA - Operários trabalham na construção do novo Centro de Detenção Provisória de Franca. Atrasadas, obras devem durar pelo menos mais um ano
SOLUÇÃO DEMORADA - Operários trabalham na construção do novo Centro de Detenção Provisória de Franca. Atrasadas, obras devem durar pelo menos mais um ano
A Cadeia do Jardim Guanabara voltou a romper uma marca histórica e fechou a noite de quarta-feira abrigando 500 presos. Lotação idêntica só havia sido verificada em janeiro de 2006. O número é quase três vezes maior do que a capacidade atual do presídio, reduzida a 185 vagas por causa da interdição de duas celas. A direção está preocupada com o excesso. “O clima lá dentro é de tensão”, admite o delegado Eduardo Lopes Bonfim, responsável pelo presídio. Há um ano, uma rebelião destruiu parcialmente o prédio. O medo é de que a situação se repita. Uma média de oito a dez presos dá entrada todos os dias na cadeia. Somente no mês de janeiro, foram recolhidos 190 criminosos, número suficiente para encher o presídio. Se não fossem as transferências e as solturas, o sistema entraria em colapso. “O problema é que a saída é sempre menor do que a entrada. A população carcerária não pára de crescer. Isto nos traz uma preocupação enorme, tendo em vista que fica difícil para trabalhar e deixa os presos agitados”. Segundo o diretor da cadeia, há uma média de 20 presos em celas de oito metros quadrados, que têm, no máximo, nove camas. Com isto, mais da metade está sendo obrigada a dormir no chão. “Chega um momento em que os presos estão, praticamente, dormindo sentados. Precisamos de vagas com urgência. Se continuar assim, vai ficar difícil a gente controlar a cadeia. A superlotação vem causando uma tensão que só tem aumentado”, disse Bonfim. Com o excesso de presos, crescem os riscos de tentativas de fuga e de motins. No começo de 2008, os criminosos incendiaram as dependências internas e mantiveram um carcereiro como refém. [FOTO2] Cinco celas foram destruídas. A polícia teme que a situação possa se repetir e ficará em alerta durante o Carnaval. “Qualquer pretexto pode servir para uma rebelião. Estamos redobrando os cuidados e interpretando tudo o que está ocorrendo dentro da cadeia para evitar ao máximo que haja problemas. Ninguém pode afirmar quando, mas a rebelião pode ocorrer por causa da superlotação”, disse o diretor. Como paliativo, 43 condenados foram transferidos para penitenciárias da região de Marília na madrugada de ontem.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários