Em qualquer festa, estágio ou mesmo em faculdade ou universidade de Franca é provável encontrar um estudante de Direito. Não é à toa. Esse é o curso com maior número de alunos na cidade. São três locais, Unesp, Faculdade de Direito de Franca e Universidade de Franca e um total de 2.685 alunos. O grande número de estudantes se reflete ainda na área de trabalho. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), entidade de classe, indica que o País possui em torno de 600 mil advogados. Em 2001, quando a Ordem passou a fazer levantamentos sistematizados eram 362 mil. No Brasil existem entre 1,2 mil e 1,3 mil instituições de ensino na área e 87 delas tem um selo de qualidade concedido pela OAB.
Unesp e FDF possuem essa certificação. Na região, a faculdade mais recente é a USP/Ribeirão Preto, que terá sua primeira turma.
Com esses números, atualmente os próprios alunos demonstram preocupação com a saturação do mercado. Em um grupo de seis pessoas entrevistadas pela reportagem, todos confirmaram que elas e uma boa parte dos colegas de classe não pensam em trabalhar como profissional liberal após se formarem. Os concursos públicos para procurador, defensor público e magistratura são as opções mencionadas sobre o que fazer no futuro.
Apesar desse inchaço de mão-de-obra, o Direito ainda é uma carreira com status. Segundo o diretor da Faculdade de Direito de Franca, Euclides Celso Berardo, o campo de trabalho continua convidativo. A explicação para essa assertiva do juiz aposentado e professor é que os conflitos entre pessoas, instituições e países só crescem ano a ano. "E o advogado? O advogado entra com ação de despejo, vai entrar com ação de cobrança, vai defender o réu. O campo para a advocacia é muito grande", avaliou.
O aluno do 4º ano do Direito da Unesp, Plínio Maciel Machado, 20, do Mato Grosso, opina sobre qual é o problema quando o assunto é trabalho. "A discussão é que não está fácil encontrar um bom emprego. Vou procurar advogar, mas penso em fazer um concurso público", disse. Ele é estagiário em um escritório de advocacia da cidade. Lilian Zaccaro, 21, de Ribeirão Preto e no 5º ano da FDF, estagia na procuradoria em sua cidade e já se decidiu por concorrer ao cargo de defensor público. "Uma carreira pública é a forma de conseguir um bom salário e um certo prestígio de forma mais rápida do que advogar", explicou.
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