A preguiça toma conta do corpo e da mente. A inércia, do comportamento. A negligência, das ações impensadas e, por último, a indiferença, que possui o que restou de gente que precisa do emprego para sobreviver.
Não precisa procurar muito por aí para esbarrar em “trabalhador” que se arrasta com indolência no doloroso processo de oferecer sua mão-de-obra em troca de ordenado.
Era manhã de domingo. O dia estava bonito, tranquilo e agradável.
Como tinha que fazer alguns consertos domésticos e necessitava de ferramenta adequada saí em busca de algum estabelecimento comercial que pudesse me servir.
Trabalhar aos domingos pode não ser muito animador, mas lá estavam, na loja, os funcionários que teriam mais uma longa jornada domingueira para servir a comunidade. Acho, aliás, que servir à comunidade é coisa apenas de seletos profissionais.
Percorrendo corredores em busca do que procurava, resolvei ir de encontro a uma moça para pedir informações. Talvez, uma mera indicação de rumo por onde eu pudesse navegar para encontrar a tal ferramenta.
Educadamente a abordei com “bom dia!” e ela não respondeu. Passei à ferramenta. Ela resmungou um "ali na frente", apontando com indiferença o queixo ao azimute (rumo de localização) onde estaria o produto. Suas coordenadas não me foram suficientes. Após percorrer quatro gôndolas e seus corredores, encontrei sozinho o objeto de meu desejo.
Caminhando no sentido ao caixa observei um pequeno grupo de funcionários que estava bastante à vontade (talvez ainda em função do fraco movimento do horário). Estavam eles desprovidos de qualquer senso ético e moral. Gargalhavam atrevidamente comentando algo “libidinoso” de forma indiscreta e grosseira que incluía sons, mímicas, caretas e “pegadas nas partes baixas” do corpo.
Segui caminho e cheguei até o caixa de uma mocinha bocejante que também não respondeu ao meu "bom dia!". Acho que queria se ver livre de mim o mais rapidamente possível.
Passou a mercadoria e não me perguntou se eu queria a "Nota Fiscal Paulista". Perguntei-lhe sobre. E ela: "você(!) poderia ter falado que queria antes. Agora, não tem mais jeito". Nossa! Que dia. Após ser tratado com tanta indiferença, testemunhado comportamento inadequado de funcionários, feito minhas compras e colaborado para a manutenção dos empregos deles, ao sair ainda levo uma bronca! Puxa! Ninguém merece...
Refletindo sobre o episódio pude enxergar que existem muitos “indolentes empregados” tratando com descaso e desleixo o posto de trabalho que ocupam. Esquecem-se de "dona crise", que pode lhes tirar o posto que possuem...
Ricardo Galo Veríssimo
Funcionário público, ex-conselheiro da Saúde e deste jornal
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.