Velhos carnavais. Moreninhas, loirinhas e mulatas do Brasil. Belas em suas fantasias, rodopios no salão. E que dizer das marchinhas? Ingênuas umas, provocativas outras.
O que valia era a alegria contagiante, os galanteios, o convite matreiro em busca da dama de vermelho, da colombina, os cochichos no meio da folia e uma inocente lança-perfume para espargir cheiro bom. Onde foi parar o romantismo de outrora? Por que não mais participar? Por que a mudança de hábito? Carnaval teria virado apenas espetáculo destinado a fria platéia que vê de longe e nem cantar sabe? Vamos lá, minha gente, que é tempo de recordar e viver.
Vai ter quem reclame, por certo, da postura saudosista. Mas nem por isso vou deixar de dizer, com bastante ênfase, que os carnavais de outrora, dos bons e irrecuperáveis tempos de uma juventude já transitada em julgado, eram infinitamente mais joviais e prazerosos. A alegria rolava solta nos salões decorados com esmero, na base da serpentina, balões, máscaras, figuras de cartolina a até bonecos sustentados em estruturas de madeira, com farto emprego de papel machê, tinta, algodão e lantejoulas.
A esmagadora maioria dos foliões francanos, incluídas aí patotas familiares inteiras, fazia dos clubes, como a AEC, Clube de Campo, Internacional, Clube dos Bagres, Sociedade Síria e até o saudoso Luiz Gama o centro preferencial de diversão no chamado “tríduo momesco”. Os arrelientos, com seus excessos etílicos, estragavam, por vezes, o prazer alheio. Mas, para a tranquilidade geral, não passavam, na verdade, de uma minoria.
Manjados por todos, eram, tanto quanto possível, mantidos a distância nas evoluções graciosas, ao som da batucada, dos pares e blocos pelas pistas dançantes. Um montão de gente, abstêmios de berço, participava dos folguedos sem ingerir, ao longo dos quatro dias, uma gota sequer de bebida alcoólica. O que não os impedia de competir em animação com a majoritária parcela dos que bebiam.
Naqueles tempos nenhum carnavalesco que se prezasse abria mão de trazer ao alcance, para pronto uso, o seu tubo de lança-perfume marca Rodouro, de alumínio bronzeado, fabricado pela Rhodia Química de Santo André. Tinha também os de vidros. Borrifar com jato de perfume uma conhecida equivalia a uma saudação amistosa.
Alvejar os cabelos ou o colo de uma jovem com um esguicho, acompanhando a cadência bonita do samba, representava uma forma galante de exprimir simpatia e afetividade. Ficava-se a aguardar pelo esguicho de volta, um sinal promissor de correspondência. A bisnaga perfumada era considerada, assim, imprescindível dentre os apetrechos carnavalescos. Tanto quanto a fantasia, o confete, a serpentina. Entrava e saía Carnaval, e de nenhuma voz autorizada se fazia ouvir qualquer tipo de advertência relativa à insuspeitada toxidade do produto.
Não passava pela cabeça de qualquer folião a “extravagante” idéia de que o lança-perfume pudesse, em algum momento, ser equiparado a drogas da pesada, capaz de provocar dependências químicas. A visão que dele se tinha, de modo geral, era de um brinquedo divertido, para adultos e crianças. Nas matinês, a meninada trazia pendurado na cintura ou preso nas mãos o seu tubo de lança-perfume. Jogar perfume, confetes e serpentinas nos outros tinha tudo a ver com o espírito da festa.
Infelizmente, acabou nosso Carnaval em salões, desapareceram as velhas marchinhas, ninguém passa mais brincando e cantando feliz: “Ai, ai, ai, ai... Tá chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem, eu tenho que ir embora”. Nos corações, saudades e cinzas foi o que restou... Afinal de contas: quem nunca sentiu saudade que atire a primeira pedra.
LUBRIFICANTE
Vamos ter um Carnaval escorregadio. O governo federal, através do Ministério da Saúde, vai distribuir durante o Carnaval 15 milhões de sachês de lubrificantes íntimos para os gays. Estão chamando de “Bolsa-Boiola”.
CADA COISA EM SEU LUGAR
Aviso afixado numa lanchonete de Franca: “Se os clientes continuarem insistindo em colocar os cigarros nos pires e as cinzas nas xícaras, a direção da casa ver-se-á obrigada a servir o café nos cinzeiros”.
MÃE EXAGERADA
Uma adolescente conversa com a melhor amiga: “Minha mãe é tão alarmista! Basta uma tosse e ela acha que estou com bronquite, uma simples dor de cabeça e ela desconfia de tumor, uma mentirinha e ela acha que vou entrar para a política”...
NEGATIVO
No supermercado, muitas vezes movidos pela pressa, os consumidores levam carnes já embaladas nas bandejas. Trata-se quase sempre de um péssimo negócio. A parte de cima do produto é uma belezura, vermelhinha, sem pelancas ou gorduras. Já o lado inferior, aquele que não aparece, é azulado, gorduroso e pelancudo. E a prática desse expediente é mais rotineira do que pensamos.
POSITIVO
Nesse espaço envio um forte abraço ao amigo Denilson Carvalho. Em sua coluna de ontem fez referência às cem publicações alcançadas por mim e pelo padre José Geraldo Segantim neste Comércio, exatamente no dia em que ele, Denilson, atingia essa mesma marca histórica. Parabéns, meu bom amigo. Continue a estimular seus leitores ao exercício da cidadania.
BAILE DE CARNAVAL
Dois amigos se encontram: “Você sabia que o Arnaldo está hospitalizado?”, comenta um deles. “O cara tá mal, que nem dá pra reconhecer direito...”. “Não pode ser!”, disse o outro, aflito, “ainda ontem eu vi o Arnaldo num baile de Carnaval, dançando com uma loira maravilhosa!”. “Pois é, a mulher dele também viu!”.
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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