Exportações despencam mais de 37% em janeiro


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As exportações francanas despencaram 37,7% no mês passado em relação a janeiro de 2008. Em dólares, o total exportado caiu de US$ 16,7 milhões para US$ 10,4 milhões. Se comparada apenas com o último mês de dezembro, a cifra é US$ 4,5 milhões menor. O resultado é o pior desde 2004, quando o levantamento começou a ser feito pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O índice foi puxado para baixo pelo setor coureiro-calçadista, que viu suas exportações encolherem quase metade em um ano. A maior redução em valores foi registrada nas vendas da indústria calçadista. Em janeiro, as fábricas de sapatos de Franca faturaram perto de US$ 3,5 milhões a menos com as vendas ao exterior em relação aos US$ 8 milhões registrados em janeiro do ano passado, uma queda de 42,5%. O proprietário de uma fábrica de médio porte que preferiu não se identificar afirmou que a situação vem se agravando nos últimos três meses. “Tínhamos uma produção diária de 600 calçados, 100% destinada à exportação e simplesmente paramos de receber pedidos. Este ano passamos a buscar alternativas no mercado interno, mas não acredito que consigamos recontratar os 60 funcionários que demiti no fim do ano. Em 30 anos, esta é a pior crise que já vi”, disse. O diretor de marketing da Sândalo, Téti Brigagão, afirmou que, apesar de não ter registrado perdas significativas com as exportações nesse período, a empresa teve sua expectativa de crescimento frustrada pela crise econômica mundial. “Planejamos vender mais de 57 mil pares lá fora, mas só conseguimos 31 mil. Fomos salvos pela alta do dólar. Se não fosse a variação cambial a situação estaria muito pior”, disse. Em segundo lugar no ranking de queda, está a exportação de couro, que passou de US$ 4,7 milhões em janeiro para US$ 2,4 milhões. De acordo com Valeriano Della Torre, diretor comercial do curtume Della Torre, em 12 anos de existência, a empresa nunca enfrentou um começo de ano tão ruim. O curtume exporta cerca de 70% dos 150 mil metros de couro que produz principalmente para os EUA e para a China. “Temos 200 funcionários e vamos lutar para mantê-los, mas a situação tem de melhorar”, disse. ESPERANÇA Téti Brigagão disse que o mau resultado de janeiro, normalmente, já é esperado por causa do marasmo da produção no início deste ano. “Só se produz em janeiro e fevereiro os pedidos feitos no fim do ano. Como o cenário econômico mundial se complicou a partir de outubro, esperávamos que a situação ficasse ruim mesmo. Agora é hora de começarmos a confirmar os pedidos feitos durante a Couromoda no mês passado e a coisa tende a melhorar”, disse. O mesmo movimento já foi sentido também no mercado de couro. “Temos sido consultados a respeito de preços e produtos. Essa procura é um sinal de que, em março, as coisas estarão melhores”, afirmou Della Torre.

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