O sonho de ficar com o quadril delineado causou a morte do travesti Robson Daniel Campos das Chagas, 25, morador na Vila Santa Terezinha. O jovem fez aplicações de silicone industrial nas nádegas e pernas. Ocorreram complicações e ele precisou ser internado. Infecção generalizada seguida de parada respiratória tiraram a vida do rapaz na madrugada de ontem. O delegado Hélder Rodrigues, do 5º DP (Distrito Policial), abriu inquérito para apurar o caso (veja matéria no site).
A sapateira SCC, 54, mãe de Chagas, confirmou que ele era travesti, prostituía-se no período da noite e trabalhava em uma banca de pesponto. “Era o filho que qualquer mãe queria ter”, disse a mulher, que descobriu no dia 3 de fevereiro que ele havia aplicado o silicone. “Ele fez escondido, porque sabia que eu era contra”, disse, lembrando que ele já havia aplicado o produto nos seios.
Naquele dia, segundo a sapateira, o filho saiu de manhã dizendo que ela não se preocupasse caso ele não voltasse para o almoço. No início da noite Chagas chegou em casa, contou para a mãe o que havia feito e começou a reclamar de “queimações” no estômago e na coluna. “O Robson tinha o sonho de tornear o corpo e me falou que viajou até Ribeirão Preto, onde ele fez aplicações em um amigo e este aplicou o silicone nele”.
Ainda no dia 3, surgiram bolhas em suas nádegas e a mãe o levou ao Pronto-Socorro “Doutor Janjão”, onde foram receitados analgésicos. Dois dias depois, novamente com dores, Chagas foi internado na Santa Casa.
Durante cinco dias Chagas ficou sem comer. “Ele só queria bebida gelada porque dizia que seu corpo queimava por dentro”. Apesar dos apelos da mãe, Chagas não revelou quem aplicou o produto. “Meu filho só dizia ‘eu quis assim’”. No último sábado, uma infecção na garganta fez com que o rapaz deixasse de falar. Segunda-feira, foi internado no CTI (Centro de Terapia Intensivo) da Santa Casa e morreu horas depois. O sepultamento ocorreu na tarde de ontem com caixão lacrado.
DEVASTADOR
Os efeitos da aplicação do silicone industrial - totalmente diferente do silicone utilizado para uso médico - no corpo humano podem ser devastadores. Há dez anos na Santa Casa, o cirurgião plástico Eurípedes Motta já atendeu quatro casos do gênero. Os problemas, segundo ele, são muitos. “Irritação é a primeira reclamação dos pacientes. Depois vem a inflamação, edema (inchaço) e necrose (morte do tecido). Nos casos extremos, infecção generalizada”.
A falta de higiene durante a aplicação é o que causa a inflamação na maioria dos casos, segundo o médico, e não há como retirar o produto depois de injetado. “Ele se mistura ao tecido muscular e não tem como separar”. Mesmo que, em um primeiro momento não haja sequelas, elas podem vir a ocorrer a qualquer instante. “Como é um corpo estranho, o sistema imunológico poderá reagir em algum momento da vida”, disse o médico.
Mais informações, foto e entrevista com a mãe de Robson no <a target="_blank" href="http://gcnvaz.wordpress.com"><b>Blog do Vaz</b>.
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