Seria possível descobrir qual curso universitário uma pessoa frequenta somente observando o estilo de roupa, calçados e penteado do estudante? Façamos um exercício: uma aluna com sandália, calça colorida e camisete curta? História, Artes Plásticas, Desenho Industrial seriam certamente algumas das respostas. Agora um estudante com terno? Direito, provavelmente seria a primeira opção que viria à cabeça, não é? E um universitário com calça jeans sem detalhes, camisa de cor neutra, tênis no pé? Ciências da Computação, Jornalismo, talvez?
Todas essas leituras, claro, são estereotipadas. Mas como vivemos num mundo em que a aparência é fator importante, vale o exercício e este se torna ainda mais curioso quando tem por objeto o universo acadêmico.
No mundo universitário - aparentemente mais do que em outros - as "tribos" tradicionalmente são mais facilmente identificadas pela linha comum do estilo, do traje, da aparência. Isso decorre, certamente, do fato do público jovem ter uma ligação mais intensa com modas e modismos; da falta da obrigatoriedade de uniforme; da necessidade que os mais jovens têm de se identificar e serem identificados de maneira rápida - o visual é um caminho.
Para o coordenador de Design em Moda da Universidade de Franca, Julius Pimenta, 42, os sinais das roupas dos estudantes significam uma reprodução da personalidade deles. "Olhe para o seu guarda-roupa que você está se vendo (inteiro)". O professor acredita que por meio da roupa transmitimos até quais são nossos valores, prioridades e falamos muito de nós mesmos. "Quando entramos na faculdade nos sentimos diferentes e vamos fazer escolhas diferentes", disse ele, sinalizando que essas escolhas, claro, se refletem na nossa forma de vestir.
O Se Liga esteve nos campi de Franca para saber como os jovens encaram essa questão da moda no seu dia-a-dia. A reportagem constatou o que já imaginava: a maioria dos jovens quer dizer algo a partir da maneira com que escolhe se vestir; tem plena consciência disso e muitos se sentem afetados pelas "mensagens" transmitidas pelas roupas.
É o caso da estudante de fisioterapia Marina Ribeiro. "Nos primeiros meses de curso fiquei impressionada. Tinha a impressão que algumas meninas queriam demonstrar por meio da roupa seu status social. Demorei a me acostumar com o `desfile` de vestidos, saltos e roupas de grife", disse ela.
Thalloa Rangel, 21, aluna do 3º ano do Direito na FDF, faz parte de outra "tribo". Ela disse que gosta de se vestir de forma despojada. "Na nossa idade, uma pessoa pode colocar uma roupa para mostrar rebeldia, por exemplo", disse ela.
O professor Julius concorda. "Talvez a forma de se vestir mais despojada seja a opção de uma garota que estuda Educação Artística ou que, pelo menos, prefere demonstrar que está mais voltada para as atividades do intelecto. No curso de Moda, até por trabalhar com a área, a garota vai vestir-se de forma mais sofisticada e há competição interna (na classe) para ser a mais fashion", completou.
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