Falha no planejamento da rede municipal compromete começo de ano de 2 mil alunos


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Passados dez dias do início das aulas na rede pública municipal, a Secretaria de Educação de Franca ainda tenta encaixar 78 professores, entre efetivos e substitutos, nas salas de aula da pré-escola à 5ª série. Isso significa que, considerando-se uma média de 25 estudantes por sala, quase 2 mil crianças de 4 a 11 anos saem de casa todos os dias sem saber quem lhes dará aula. Com a falta de planejamento estratégico da Prefeitura, as classes foram assumidas de forma paliativa por professores de apoio, coordenadores pedagógicos e até diretores. Algumas escolas chegaram a dispensar os alunos da aula. Com a implantação do ensino fundamental de nove anos no município, abriram-se vagas para a contratação de 155 novos professores efetivos, aprovados em concurso público no ano passado. Convocados no dia 31 de janeiro - uma semana antes das aulas -, só escolheram as salas em que iriam dar aula no dia nove, quando as aulas em todas as unidades da rede já tinham começado. Desde então, 121 começaram o trabalho, mas 34 desistiram. Para aumentar o número, 42 professores que já trabalhavam na prefeitura em anos anteriores não vão assumir aulas por estarem de licença-maternidade, afastados pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ou por exercerem cargos comissionados. No total, a Secretaria de Educação precisa resolver a situação de 78 profissionais. A atribuição ocorrerá hoje, mas dificilmente todas serão preenchidas. Pelo menos 15 candidatos não teriam se apresentado ou estariam com problemas na documentação. A diretora da Divisão de Ensino, Rose Saad Salomão, disse que, por conta de tantos problemas, é impossível prever quando o quadro estará completo. "É imprevisível. Depende do comparecimento destes professores ou não. Destes 34 que foram chamados, se 15 não comparecerem ou desistirem será mais outra semana de publicação, mais três dias para convocação", disse. Enquanto isso, os funcionários das escolas têm que se virar para não prejudicar os alunos. A reportagem visitou ontem seis escolas municipais de diferentes bairros e entrevistou mais de dez pessoas. Com medo de retaliações, todos os profissionais só concordaram em conversar sob a condição de anonimato. Somente em uma das unidades o quadro está completo. Nas demais, professores têm de dobrar a jornada e, como disse a dirigente, coordenadores e diretores precisam deixar suas funções para assistir aos alunos. Para uma professora, tanta complicação e morosidade comprometem o processo de aprendizado e de interação das crianças. "Atrapalha principalmente as crianças menores, porque são de difícil adaptação. Elas choram, ficam com medo. Quando acostumam com uma professora, vem outra. Aí começa tudo de novo. É preciso fazer vínculo. Fica ruim para todo mundo", afirmou. PRESSÃO Uma constatação comum, em todas as escolas visitadas, é o medo que funcionários demonstraram ter para fornecer informações sobre os problemas que estão se verificando. Tanto que, das mais de dez pessoas entrevistadas, somente uma aceitou que seu nome fosse publicado. As demais, com medo de represálias da Secretaria de Educação - como transferências ou mudanças de função -, pediram anonimato. "A pressão em cima da gente é muito grande", disse uma delas.

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