De uns tempos para cá, a violência campeia solta por todos os quadrantes da cidade. Todos os dias o noticiário policial está repleto de atrocidades cometidas por delinquentes da pior espécie. Esses agressores de pessoas indefesas têm comportamento muito próximo ao de animais.
Só que animal age por instinto natural. Quase nunca ataca gratuitamente. Na maioria das vezes, somente quando a fome se faz presente. Ou então para se defender. Já esses meliantes praticam ações na base da maldade. Não medem as consequências. Para eles, o semelhante serve apenas para satisfazer a sanha assassina. Nada mais que isso.
Aliás, a índole malvada já se revela muito cedo. Um desses últimos assassinos confessos já mostrava o seu desapreço pela vida quando tinha aproximadamente 12 anos. Um dia, por simples prazer, afogou de um em um os filhotes de uma cachorra sem dono num dos córregos da periferia. Repreendido pelo ato, não demonstrou a mínima sensibilidade.
O que esperar de uma pessoa dessas na vida? Além dessa maldade gratuita, na escola, agredia os colegas sem motivo algum. A disciplina em sala de aula não existia para ele. Pai e mãe não tinham controle algum sobre seus atos. Agora, depois de matar a troco de quase nada, qual será o seu futuro?
Provavelmente, caso sofra alguma agressão, o pessoal dos direitos humanos estará atento. Essa turma quer um tratamento humanitário para os algozes. Não aceita torturas. No entanto, será que os familiares das recentes vítimas dos facínoras receberam visita de consolo dos defensores da equidade?
Além de retratar a vida, a arte consegue antever os fatos. No filme `Feios, Sujos e Malvados`, o diretor italiano Ettore Scola cria uma atmosfera marrom, dentro de um cotidiano virulento. A convivência de pessoas degradantes, junto a animais asquerosos, mostra as amarguras de um ex-operário, que perdeu um dos olhos em um acidente de trabalho. Ele recebe uma indenização e a esconde.
O dinheiro provoca a desestruturação da família do protagonista, interpretado por Nino Manfredi. Seus dez filhos, com o apoio de noras e genros, tentam localizar a indenização escondida. Nesse intento, surgem mentiras, traições, incesto e uma onda de violência gratuita, que posteriormente se alastra pela vizinhança.
Os membros da família vivem na maior promiscuidade. Passam a ser conhecidos nos arredores como os feios, sujos e malvados. A alcunha por si só mostra a face e as atitudes do bando. A ação se passa em Roma, na década de 1970. Mas serve bem para ilustrar o comportamento atual de parte dos marginais.
Hoje, por trás da onda de violência reinante por toda parte reside a falta de parâmetros para com o bem alheio. A começar do familiar. Quase sempre tudo se inicia pelo uso de drogas.
Primeiramente legal. Depois, ilegal. Dificilmente alguém começa diretamente pelos entorpecentes. Instalada a dependência química, o resultado está aí, à vista de todo mundo: cadeia lotada, clínicas de recuperação com fila de espera para internação, a menos que seja paga.
De resto, uma enormidade de gente sofre e se encolhe em casa para não ser roubada nos menores valores. No mais, torce pela sorte de ter a vida preservada diante de tanta criminalidade, acompanhada de impunidade.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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