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Henrique Guimarães Borges, que completaria 2 anos em abril, morreu no início da madrugada de ontem vítima de insuficiência respiratória aguda causada por intoxicação com medicamento. O menino ingeriu grande quantidade de comprimidos do anticonvulsivo Depakene, foi internado no CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa Casa na noite de sábado, mas não resistiu a uma parada respiratória. O sepultamento foi realizado na tarde de ontem, no Cemitério Santo Agostinho.
Ainda emocionado com a morte do filho único, o servente de pedreiro Luís Gustavo Borges, 24, ao lado da mulher, a dona de casa Ana Carolina Guimarães, 20, moradores no Jardim Santa Efigênia, contou que Henrique era uma criança inteligente. “Era muito esperto”.
Sábado, após o almoço, Borges resolveu sair com a mulher para devolver filmes alugados e fazer compras. Henrique ficou com a avó Rita Guimarães. “Ele deu birra no portão, queria ir junto com a gente, mas não podíamos levá-lo”.
Como o menino estava agitado com a saída dos pais, Rita, que mora com o casal, pegou a criança no colo. “Logo que a gente saiu, o telefone tocou. Ao voltar para dentro de casa, minha sogra passou perto da geladeira. Sem que ela percebesse, o Henrique esticou o braço e pegou um frasco de remédios anticonvulsivos que precisei usar durante uns meses por causa de crises de convulsão”, contou o servente.
Ao atender o telefone que tocava, Rita recebeu a notícia de que seu pai havia sofrido um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e estava sendo internado na Santa Casa. Assustada, nem reparou que o menino havia aberto o vidro e engolido os comprimidos. Quando ela percebeu o que Henrique havia feito, enfiou o dedo na boca do garoto e retirou um comprimido. Como Henrique continuava bem e agitado, Rita imaginou que aquele comprimido fosse o único que o menino tinha colocado na boca.
Luiz Gustavo e a mulher voltaram no fim da tarde. A avó contou o ocorrido, mas, como o garoto continuava bem, os pais não se preocuparam. “Ele estava normal. Logo depois, dormiu como sempre fazia. Só começamos a estranhar quando já era noite e ele não acordava”.
Preocupada, a mãe resolveu dar um banho em Henrique para que ele despertasse, mas não adiantou. O menino continuava sonolento. “Foi quando decidimos levá-lo ao Pronto-Socorro Infantil. De lá, os médicos já o transferiram para a Santa Casa”, disse o pai.
Internado no CTI, até pouco antes das 22 horas de domingo, Henrique ainda esboçava reação. “Ele apresentou melhoras, vomitou carvão ativado (usado para desintoxicar) e partes de comprimidos que ainda estavam no estômago”, relatou Borges. Diante do quadro, o casal resolveu deixar o hospital e ir para casa descansar.
Ontem, por volta de 1h50 da madrugada, o telefone dos pais de Henrique tocou e eles foram chamados com urgência na Santa Casa, onde receberam a notícia da morte do filho único. “Que isto sirva de alerta para que as pessoas fiquem atentas a tudo o que seu filho faz”, disse Borges.
O laudo do médico legista Antônio Pecce Júnior confirmou a morte por intoxicação com medicamentos.
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