A vinda de Jesus ao mundo tinha como objetivo salvar o homem com um olhar especial para os pobres e os desditosos. Neste sexto domingo do tempo comum, o evangelho narra a cura de um leproso que se aproxima de Jesus confiando imensamente no seu poder.
A lepra era entendida como uma doença ligada diretamente ao pecado e como consequência os leprosos eram excluídos do convívio social. Com a cura do leproso, Jesus quis mostrar que ninguém deve sentir-se excluído da nova família dos filhos de Deus.
A primeira leitura proclamada na missa é do livro do Levítico. O trecho nos explica como se comportavam os israelitas diante dos leprosos: eram rejeitados por todos, ninguém os tolerava perto de si, nem vivos, nem mortos.
A marginalização à qual eram submetidos esses doentes, porém, era determinada por um outro motivo: os leprosos eram considerados como amaldiçoados por Deus porque achavam que eram culpados por graves pecados.
No corpo dos leprosos as úlceras representavam o ferrete vergonhoso do próprio pecado e o sinal de que deviam ser rejeitados e marginalizados em nome de Deus. Hoje a lepra é entendida de um modo diferente: é uma doença física com tratamento adequado e não constitui mais um motivo de exclusão social.
No tempo de Jesus curar um leproso era tão difícil como ressuscitar um morto. Para um israelita, portanto, a cura de um leproso era muito mais do que um fato extraordinário: era um sinal que o esperado Reino de Deus tinha chegado ao mundo. No capítulo 1 de São Marcos nos é relatada a cura do leproso.
Diante de Jesus ele pede para ser "purificado", isto é, para ser reconduzido a fazer parte da comunidade humana. Escutando-o, Jesus se comove, estende a mão, toca-o e lhe restitui a saúde.
A atitude de Jesus revela que o Deus que se manifesta em Jesus não é distante, nem rígido contra os que erraram ou distante daqueles que são considerados impuros. É um Deus que não sente repugnância de ninguém, pelo contrário está sempre perto de cada um em suas necessidades.
Quem segue a Jesus deve crescer espiritualmente de tal modo que faça o Mestre presente no mundo por meio de atitudes semelhantes.
É gratificante perceber pelos relatos da Sagrada Escritura nos evangelhos que Jesus, seguindo seu caminho, nunca se afastou dos publicanos, dos pecadores e das prostitutas. Nunca sentiu medo de ser contaminado por estas pessoas. Ao contrário. Para elas sempre possuiu uma palavra de Vida. Jesus não tinha preconceito!
Pelas atitudes de Jesus aprendemos a conviver com pessoas que não necessitam da nossa condenação e sim do nosso amor, porque somente pelo amor é que serão recuperados para a vida.
Diante deste evangelho pensamos que há com certeza, em nossa cidade ou em nosso bairro, alguém que vive isolado dos demais e que todos evitam como se fosse impuro. Talvez isso aconteça por ser ele antipático ou por ter um instinto perverso que resulta num comportamento prejudicial a ele mesmo, à sua família e à comunidade. Sentimo-nos tentados a abandoná-lo, a não fazer nada pela sua recuperação, a não prestar-lhe ajuda para que possa conduzir-se de uma forma socialmente civilizada.
Frequentemente não nos damos conta de como esteja ele sofrendo e de quantas mágoas possa estar causando aos outros e assim não entendemos que a sua condição é pior do que a morte.
Afastar-se, criticar ou rejeitar não são atitudes indicadas por Jesus; ele ensina a ajudar e banir todo preconceito.
São Paulo, na segunda leitura, recomenda, claramente, que não devemos pensar apenas em nós, no que nos é melhor ou mais vantajoso, de forma egoísta.
Ele afirma que como cristãos, devemos defender os valores do Evangelho, pensando no que é justo e serve ao bem comum, como fazia Jesus.
As imposições sociais que humilham o ser humano devem ser questionadas e corajosamente mudadas. Foi assim que São Paulo procurou viver sua fé.
NÃO AO PRECONCEITO
O preconceito existe e desde cedo adquirimos certas orientações que nos tornam preconceituosos. Algumas restrições que nossos familiares apresentam nos encaminham a isto. Toda atitude marcada por preconceito é acompanhada de julgamento e discriminação. Tento policiar-me para não ser preconceituoso, mas nem sempre sou vitorioso. Quando sou assim, sempre faço uma pergunta: que direito tenho se não sou perfeito? Jesus que era e é perfeito não foi e não é preconceituoso.
LUIZ NETO
Você acusou em sua coluna, no último sábado, da marca da 100ª publicação das minhas reflexões e de outros colegas colaboradores. Agradeço por sua memória e lembro-me dos vários telefonemas e de sua paciência no início para orientar-me sobre o que era necessário observar no campo jornalístico. Obrigado! Obrigado ao jornal Comércio da Franca pela oportunidade que oferece para divulgar a Palavra de Deus. Luiz, que Deus o abençoe.
PENSAMENTO
"Jesus mostra que diante de qualquer pedido de ajuda, deve-se seguir o coração"!
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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