Jovem tenta se recuperar pela sétima vez


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ATIVIDADE - Garota trabalha em obras na Amafem: serviço pesado durante a desintoxicação
ATIVIDADE - Garota trabalha em obras na Amafem: serviço pesado durante a desintoxicação
A Amafem (Associação Mão Amiga de Amparo Feminino) atende 22 internas atualmente, duas das quais menores de 13 e 17 anos. Essa é a sétima vez que EM, 13, tenta vencer o vício nas drogas. Ela se tornou usuária ainda criança, aos 11 anos. Consumia maconha e crack. Encaminhada pelo juiz, tentou se recuperar da dependência seis vezes. Esteve internada em clínicas de Ituverava, Catanduva e Santa Fé do Sul. “Em Ituverava, tive quatro chances. Mas quando estava lá, minha cabeça ficava muito lá fora. Não conseguia conviver dentro das clínicas, porque é muito fechado. Aqui na Amafem é mais livre. Espero terminar o tratamento desta vez”. EM é de Monte Azul Paulista e está na entidade francana há duas semanas. Esperou um mês até conseguir a internação, determinada pelo juiz de sua cidade. Neste período, disse que tentou vencer a dependência sozinha. “Fiquei um mês sem usar drogas, mas foi difícil. Eu ia para a igreja para não usar, mas não conseguia ficar lá. Achei que sozinha eu ia conseguir, mas não dá”. VA, 17, é outra jovem que está em busca de sua recuperação. Ela usava drogas desde os 14 anos. Depois de chegar “ao fundo do poço”, vivendo totalmente dependente de maconha e cocaína, decidiu pedir socorro. Conseguiu internação na Amafem, onde sua mãe havia se tratado contra o alcoolismo e já tinha sido funcionária. Desde dezembro, está em tratamento na fazenda da entidade. “Fui curtindo. Fui caindo cada vez mais. Eu usava todo dia. Acordava meio-dia e já fumava maconha. Do baseado eu já ia para cocaína”. VA chegou a vender suas roupas, secador, chapinha, sandálias, roubou dinheiro de seus familiares e se prostituiu para pagar as drogas. “A gente (ela e as amigas) falava que seria a última vez que usaria, mas esse último dia não chegava nunca. Uma vez usei quatro dias direto. Aí vi que não dava mais. Procurei a Amafem”, disse ela. “Foi um desespero porque eu já não tinha mais família, nem vontade de me arrumar, estava sem namorado... Eu só queria saber da cocaína e maconha”. ROTINA A jovem e as outras internas têm uma rotina bem diferente da anterior à internação. Acordam às 7 horas. Depois de tomarem café e fazerem a higiene pessoal, participam de estudos religiosos e seguem para as tarefas na fazenda, como corte de grama, arrumação da casa, faxina nos banhei-ros e momentos de lazer, como assistir à televisão, jogar vôlei e futebol. Na última quarta-feira, um grupo delas trabalhava com enxa-das e carriolas para colocar terra nos alicerces do espaço que abrigará o escritório da Amafem futuramente. VA não vê problemas na convivência com pessoas mais velhas nem nos serviços “pesados”, indicados para a desintoxicação. “Eu gosto das experiências delas (...) Não fui acostumada (a trabalhar), mas a gente aprende”.

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