As chuvas de verão têm levado medo aos moradores na Rua Anésio Basílio dos Santos, no Jardim Palmeiras. Há pelo menos seis anos, eles convivem com inundações em suas casas. O trauma de ter perdido móveis, roupas e alimentos por causa das águas sempre acende o sinal vermelho na vizinhança em épocas de temporais.
O problema maior se concentra na altura do número 1890, onde termina a descida da rua e a água das chuvas se acumula. As casas ficam em um nível mais baixo que a rua. Com isso, o esgoto volta e há inundações nos imóveis. Anteontem pelo menos uma loja e duas casas foram invadidas pela água.
O ex-sapateiro Maurício dos Santos, 58, foi uma das vítimas. Em frente à sua residência, existem quatro bueiros, mas eles não dão conta de escoar a água. No caso dele, o pavor é maior. Ele vive numa cadeira de rodas. “A chuva entra de uma vez. Eu não tenho defesa. Não tenho condições de levantar. Do jeito que está aqui, vai chegar uma hora que vai transbordar e não vou ter como sair. Tenho medo de morrer afogado”.
Anteontem a enxurrada destruiu colchões, cobertores, roupas e um celular dos moradores dos fundos da casa de Maurício. Há três anos, a água invadiu a casa dele e destruiu eletrodomésticos e alimentos. “A água chegou a quase meio metro de altura. Tive de ser resgatado pelos bombeiros. Se tem trovão lá em cima, estou com medo aqui embaixo”. Ele não tem intenção de deixar o imóvel que comprou por R$ 12 mil. “Gosto da vizinhança”.
A vizinha dele, a vendedora Adriana França, 27, também tem traumas. Em 2003, um temporal invadiu sua casa e destruiu todos os móveis. O problema continua. Quinta-feira a água invadiu o local novamente. “Já procurei a Prefeitura várias vezes e eles falam que é competência da Sabesp, mas lá eles também não resolvem”.
Em outro ponto da cidade, a tensão com as chuvas se repete. Na Avenida Gini Teixeira Rocha, no Jardim Integração, a água chegou a carregar automóveis nesta semana. “Tem descido muito entulho e barro com a chuva, que chega a levar carros com a enxurrada. Já aconteceu da água subir e invadir os veículos também”, disse o empresário José Luiz.
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