O processo de recuperação da Vila de Paranapiacaba e sua candidatura a patrimônio cultural da humanidade não devem ser interrompidos sob nenhuma condição. O responsável pelo sítio histórico, Eduardo Sélio Mendes Júnior, assumiu o cargo em janeiro deste ano junto com a nova administração municipal, após as eleições de outubro do ano passado.
Segundo ele, as metas para a Vila incluem desenvolver projetos que a tornem um polo turístico sustentável para que, cada vez mais, dependa menos de repasses da prefeitura de Santo André.
“Firmamos o compromisso de não apenas manter, como ampliar a oferta de atrações para os turistas e de trabalho para os residentes na Vila. Precisamos deixar o aspecto de precariedade, porque turismo precário gera desemprego”, disse Júnior, em entrevista por telefone. “Para isso, estamos fechando parcerias para oferecermos city tours pela Vila e pela região, montaremos oficinas de restauro entre outras atividades para os moradores”.
Conforme adiantou, o calendário cultural será mantido, sobretudo o Festival de Inverno da Vila, que ocorre nos meses de julho. Projetos de recuperação da parte alta, com seus sobrados de madeira, e do centenário cemitério já estão sendo executados.
Sobre a candidatura ao posto de patrimônio da Unesco, Eduardo Sélio Júnior informou que a prefeitura está nos últimos entendimentos com a MRS, empresa ferroviária que detém a concessão do trecho entre São Paulo e Paranapiacaba, para a volta do trem turístico entre as duas cidades, com saídas aos finais de semana a partir da Estação da Luz, no Centro da capital.
“Dependemos apenas do sinal verde da companhia. Com isso, temos como colocar o trem para sua viagem inaugural na semana seguinte”, afirmou. “A volta do trem é essencial para o turismo e para o sucesso na nossa indicação. Não é possível imaginar que uma vila ferroviária se sustente sem um trem. Se nosso projeto chegar na Unesco como está hoje, vai bater e voltar”.
O título da ONU (Organização das Nações Unidas) seria o reconhecimento da importância da vila para a história ferroviária nacional, mas o incremento do turismo no local ainda depende de muitas variáveis. A localização privilegiada na Serra do Mar engessa algumas ações, como a construção de hotéis, por exemplo, área um tanto precária no local, cuja solução depende de estudos de impacto ambiental.
Até mesmo a estrada com pouco mais de sete quilômetros que liga as partes alta e baixa da Vila é motivo de discussão. Hoje, sem asfalto, torna difícil o acesso, principalmente com chuva, que na região é quase ininterrupta em boa parte do ano.
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