Trotes, calouros, veteranos e babacas


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Como em todo começo de ano letivo a bizarrice do trote está nas ruas. Numa autêntica demonstração de degeneração social e moral, seres humanos são humilhados, torturados e usados por outros seres humanos. A prática que parece ter origem no século XVI ou até mesmo antes disso mantém-se firme e forte, mesmo que a faculdade seja a Ziriguidum Ensinos Corporativos S/A, para o curso de formação acadêmica para fila do subemprego, ou ainda que a concorrência tenha sido de três vagas por candidato. O importante é trotar. Isso mesmo trotar. A palavra trote remete à maneira de andar de alguns cavalos. Por não ser uma andadura natural do animal muitas vezes a espécie precisa ser domesticada, o que nem sempre se faz de maneira gentil e suave. Daí a palavra ter dado nome também às comemorações ou ritos de iniciação da vida universitária. A coisa funciona mais ou menos assim. Os calouros, também chamados de bixos ou bixetes, com x mesmo, numa clara demonstração de humilhação onde até o nome deve ser escrito de maneira incorreta, são as vítimas. Os veteranos, os algozes. Junte a isso uma boa dose de irresponsabilidade e uma significativa quantidade de bebidas alcoólicas e outras coisinhas para dar à festa o calor que a coisa precisa e então se transformar em verdadeiro show de horrores. Ingredientes selecionados, mãos à obra. Ah, não, já ia me esquecendo. Falta uma coisa: os babacas! É, porque trote de verdade tem que ter calouro, veterano e babaca. Se não tiver pelo menos um, não tem graça. O babaca é aquele cara que sempre acha que é legal, que é o mais engraçadinho da turma, o mais querido da galera. É sempre dele a brilhante ideia de colocar urina na bebida do bixo, ou ainda a criativa iniciativa de misturar fezes de animais com barro para lambuzar a calourada. Pode reparar. Em toda rodinha de trote tem um babaca. É ele que fica gritando o tempo todo - vai bixo, vem bixo, pega bixo, deita bixo, e assim vai. O babaca é inconfundível. Ele é hours concours. E suas atitudes podem deixar marcas para sempre; algumas irreparáveis, por exemplo: deve ter sido um babaca que teve a ideia de trotar um calouro de medicina veterinária de Leme até levá-lo a um coma alcoólico. Em Santa Fé do Sul algum babaca de plantão provocou queimaduras sérias em duas calouras, uma delas, grávida. Babacas existem há muito tempo. Em 1980 em Mogi da Cruzes, um calouro de jornalismo teve traumatismo cranioencefálico por causa do trote e morreu. Em 1990 outro calouro morreu de parada cardíaca durante o trote de uma faculdade de Direito. E um dos mais repercutidos casos de babaquice aconteceu em 1999 quando, na piscina de uma das mais famosas faculdades de medicina do País um calouro foi encontrado morto, muito provavelmente, vítima do trote. Portanto, os trotes como forma de confraternização parecem ser cada vez mais raros, sendo que o que tem predominado nas esquinas é o trote com viés pejorativo, humilhante e violento. DELIRIUS POLITICOS Pronto. Agora a coisa vai andar. FHC, nosso ex-guia resolveu dar as caras. Na semana em que a campanha pró Dilma parece ter ido definitivamente às ruas, o presidente de honra do PSDB apareceu e já conseguiu chamar a atenção ao defender em rede nacional a legalização do consumo da maconha. Não deve ser por acaso que nos tempos de governo o apelido dele era Viajando Henrique Cardoso. Depois eles ficam sem entender porque não conseguem derrubar a popularidade do homem de Garanhuns. Só por Deus. SÓ NO RETRATINHO E na capital da República Federativa do Brasil, mais de 3 mil prefeitos foram às barbas do senhor presidente apresentar seus pires. Não saíram de mãos abanando: além do lero-lero de sempre, um alívio no ajuste fiscal com a União. Mas teve gente que queria mesmo era aparecer na foto, e conseguiu. Na barraquinha da saída estava à venda um retratinho do seu prefeito predileto ladeado pelo presidente e pela mãe do PAC. Detalhe: as fotos eram uma montagem realizada graças às maravilhas da tecnologia. Brasil! Meu Brasil brasileiro! ENQUANTO ISSO NA TERRA DO SAPATO Um amigo me telefonou. “E aí Leonel, quer um furo para a sua coluna? Então anota aí: a temperatura deve subir nos próximos dias”. A fervura parece ter origem no subsolo da política local, onde manda quem pode, obedece quem tem juízo”. SÓ PRA NÃO PERDER A PIADA A família esta reunida vendo álbuns antigos. E lá está a foto de um jovem elegante, simpático e muito bonito. A Marianinha vira-se para a mãe e pergunta: - Mamãe, quem é esse homem tão bonito? - É o seu pai, minha filha. Então a garota chega mais perto da mãe e fala bem baixinho: - E quem é esse gordo, careca, feio e chato que mora aqui com a gente? Alexandre H. Leonel Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br

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