Transferência


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A transferência do Dr. George Theodoro Ary de Cristais Paulista para Dumont é um ato travestido de peculiaridades só vistas na ditadura, não combinando com um partido que se diz social-democrata. Acredito que o governador não tem conhecimento do que seus comissionados têm feito. Caso contrário, alguém como Serra, que foi vítima de perseguição política, não aceitaria tal atitude. É clássico. A autoridade estatal quer dar uma lição naqueles que ousam afrontá-la (democraticamente). Então, escolhe um bode expiatório, depois investiga um argumento plausível e legal para impor seu poder. Durante a greve, centenas de cidadãos tiveram problemas, mas o fato do delegado não ter liberado o pedido pessoal de alguém foi o suficiente para puni-lo. Se for assim, para não ferir o princípio da impessoalidade, todos os policiais civis do Estado teriam de ter sido transferidos. Depois, fazem um processo sumário, de exceção, e aplicam a pena sem direito de defesa. Sob o manto falso da legalidade mandam um recado a todos os descontentes: "isto posso fazer com qualquer um de vocês". E ai de quem ousar questionar tal atitude legal do Estado. Como democrata e republicano, vejo que houve ofensa ao princípio da impessoalidade, pois de todos os ângulos pelos quais se olhe o caso o delegado foi escolhido como exceção. Também o ato ofendeu o acordo judicial de que nenhum policial sofreria retaliação por seus atos na greve. E, por fim, houve ofensa constitucional ao negar o direito ao contraditório e a criar um tribunal de exceção. Como diria o poeta: a besta que pariu o nazismo ainda tem seu seio fértil. Alexandre César Lima Diniz Franca - SP

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