Tenho considerado sempre sobre duas regras fundamentais para o melhor funcionamento dos cem bilhões de neurônios que residem em nosso cérebro: exercício físico e sono.
Vimos que as mais recentes pesquisas das Neurociências comprovam que malhar e dormir bem “turbinam” nossa atenção e memória, promovendo até o “nascimento” de novos neurônios.
Nossa terceira regra diz respeito à atenção, uma das mais importantes habilidades cerebrais, se é que podemos hierarquizar funções nesse órgão onde tudo é fundamental.
A atenção, sinônimo de concentração, é a capacidade de selecionarmos um alvo ou estímulo e mantermos nosso pensamento nele ao longo do tempo. Ela é responsável por estabelecermos, em frações de segundo, uma correlação entre as mais diversas informações residentes em nossa memória com as que chegam através da visão, audição, gustação, olfato, tato e pensamento. Viabiliza a leitura e a escrita e manipula todas essas informações em equações de razão e lógica.
Temos dois tipos principais de atenção: a seletiva e a dividida. A atenção seletiva é responsável por selecionarmos apenas um alvo entre muitos. Imagine você escrevendo um texto numa praia paradisíaca enquanto um casal discute na mesa ao lado, americanos elogiam a culinária local e banhistas se refestelam preguiçosamente nas cadeiras à beira-mar. A atenção dividida, por sua vez, é a capacidade de focarmos mais de um estímulo ao mesmo tempo. Acrescente à cena anterior um atrevido borrachudo dando rasantes perigosos em sua nuca.
Os principais fatores que irão influenciar nossa atenção são a memória, o interesse e a capacidade de alerta. A memória me traz experiências prévias daquela situação e o interesse reflete a importância para mim do que faço naquele momento. O cérebro ordena os estímulos nessa ordem, por isso é tão difícil prestarmos atenção em coisas chatas. Hierarquizando os estímulos consigo não me distrair com a discussão do casal ou o comentário dos americanos.
Os profissionais de publicidade conhecem bem essas regras e as utilizam com maestria. O imprevisível, o insólito e o apelo emocional ancoram nossa atenção a serviço da mensagem que se pretende passar. Sabemos também que são atributos de toda boa piada.
Sim, estamos falando de algo fundamental para se fazer entender, convencer, emocionar, marcar de forma indelével a memória do outro, ferramentas “do bem e do mal”, habilidades desse admirável cérebro humano.
Marco Antônio Arruda
Neurologista da Infância e Adolescência e Doutor em Neurologia pela USP - arruda@institutoglia.com.br
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