‘Emprestados’ à Ciretran podem perder o emprego


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Quinze funcionários que trabalham na Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) de Franca cedidos pelas Associações dos Despachantes, das Autoescolas e dos Médicos e Psicólogos correm o risco de perder o emprego. Os presidentes das associações deixaram claro que não terão condições de absorver a mão-de-obra caso a Justiça mantenha a decisão de condenar o governo do Estado a dispensar os trabalhadores. Motivada por uma denúncia do Ministério Público, a Justiça determinou a substituição dos “funcionários emprestados” por servidores públicos no prazo de seis meses (leia mais nesta página). Esse prazo começa a correr quando não couber mais recursos por parte do Governo. A decisão final pode demorar meses e até anos. Mesmo assim, o clima na Ciretran é tenso. Os funcionários não querem falar sobre o assunto, mas temem pelos seus empregos. “O clima é de tristeza. Perder o emprego na situação que estamos hoje é difícil”, disse José Prado Souza, presidente da Associação das Autoescolas. Souza paga os salários de seis funcionários da Ciretran. Gasta em torno de R$ 5,5 mil mensais de salários, fora os encargos trabalhistas. A ajuda que ele presta ao Estado é para que a emissão de documentos funcione de maneira ágil, facilitando e garantindo os serviços nas autoescolas. “Para mim, seria uma economia se o governo colocasse pessoas ali dentro, mas, se apenas tirar e não repor, será péssimo. Precisamos deixá-los lá”. O presidente da Associação dos Despachantes, José Carlos Leite, defende a presença dos funcionários mas, disse que, se necessário, seguirá o que a Justiça determinar. Poderá dispensar os oito funcionários que cede a Ciretran, economizando R$ 13 mil mensais (de salários e encargos). “Infelizmente não temos onde recolocá-los. São funcionários de grande responsabilidade, com família, que ficarão desempregados”, disse. De acordo com o delegado da Ciretran, Marcelo Caleiro, a retirada dos funcionários sem contratação de novos servidores acarretaria a paralisação do atendimento. “Temos déficit de funcionários hoje. Se dispensarmos esses de um dia para o outro, uma carteira demorará dez vezes mais tempo para ser emitida. O Estado realmente tem de tomar a iniciativa de abrir concurso para suprir essas vagas”. Atualmente, dos 29 funcionários que trabalham na Ciretran, 15 são cedidos pelas associações. O presidente da Associação dos Médicos e Psicólogos não foi encontrado para comentar a situação do funcionário que cede para a Ciretran. SEM RESPOSTA A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública, que responde pelas Ciretrans, para saber o posicionamento do governo com relação ao assunto. A assessoria de imprensa da secretaria enviou no início da noite, por e-mail, uma declaração do delegado Seccional de Franca, Maury de Camargo Segui, sem explicações. “O delegado não vai se posicionar sobre a decisão judicial, pois não foi notificado oficialmente”, disse a assessoria.

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