O sapateiro aposentado Sebastião de Souza Moraes, 65, cria quatro araras em sua casa, no Bairro São José. Sua residência fica em uma região movimentada, entre as Avenidas Major Nicácio e Doutor Ismael Alonso y Alonso. Ainda assim as aves - normalmente avessas ao barulho da cidade - se acostumaram com o local e lá vivem há três anos.
“Tiãozinho das Araras”, como é conhecido o sapateiro, disse que nunca prendeu as aves e que elas poderiam voar para onde quisessem, mas elas aparecem todos os dias para se alimentar. Todas têm o mesmo nome, “mulata”, e pousam nas mãos de Tiãozinho quando ele as chama.
Normalmente as araras são ariscas e difíceis de serem “domesticadas” e o fato despertou a atenção dos meios de comunicação locais - o Comércio veiculou matéria com “Tiãozinho das Araras” no início de 2006 - e nacionais. “Já dei entrevistas ao programa da Ana Maria Braga, Globo News, Record News e as reportagens do Comércio já repercutiram até no Japão”, disse, orgulhoso. Isso fora o assédio de amigos e vizinhos, que se encantam com a beleza e os gritos dos animais.
O primeiro casal apareceu na casa do sapateiro em dezembro de 2005. Não foram mais embora. Pelo contrário, ficaram e procriaram. Hoje, além das duas aves, vivem no local dois filhotes, um com um ano e quatro meses e o outro com quatro meses. Tiãozinho cuida de todos e diz que não dão trabalho. “Elas comem todo tipo de fruta. Eu dou de tudo: banana, manga, mamão, goiaba”, afirmou.
Como Tiãozinho não prende as aves, as autoridades ambientais não põem empecilhos para que elas continuem vivendo na residência. “A Polícia Ambiental disse que enquanto eu deixá-las soltas poderia continuar cuidando”, disse, animado.
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PÉ ATRÁS
A especialista em animais silvestres e professora do curso de Veterinária da Unifran (Universidade de Franca), Cláudia Momo, disse que as araras do sapateiro são do tipo “canindé”. De acordo com ela, apesar da relação de Tiãozinho com as aves, a manutenção delas em casas não é recomendável. “A gente não deve fazer isso porque não sabe qual é a alimentação adequada e nunca se sabe quais doenças os animais silvestres têm. Ninguém recomenda que haja contato com estes animais, principalmente as crianças e os idosos”, disse.
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