Pela manutenção do emprego


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Em face da má aplicação do dinheiro de terceiros pelos bancos, financeiras, imobiliárias e especuladores americanos do norte – o que os levou à bancarrota –, a massa trabalhadora do mundo inteiro está pagando a conta e os governos de diversos países estão despejando milhões, bilhões e trilhões de dólares naqueles setores, assunto sobre o qual já me manifestei. Volto porque o que me faz sentir indignado, revoltado e desesperançado é ver que aqueles homens responsáveis e culpados pela quebradeira que se estendeu pelo mundo todo, continuam com seus postos de trabalho, tocando a vida como se nada tivesse acontecido, comendo e bebendo do bom e do melhor até porque o governo lhes devolveu o `status`, repondo as suas perdas em pecúnia, usando para tanto o dinheiro que era do povo. Este mesmo povo que, trabalhando, produziu bens e causou o represamento do dinheiro nas mãos daqueles tubarões e do governo, agora, por culpa destes, está a perder os seus postos de trabalho e sendo jogado na rua. Os que se mantêm também estão na iminência de perderem direitos ou sofrerem redução salarial, caso pretendam manter o emprego. O que se vê no geral e local são empresas rescindindo contratos com seus trabalhadores; algumas poucas pagando corretamente os direitos trabalhistas e outras não, ao fecharem suas portas e divulgarem que vão esperar o que vai acontecer para decidir se continuam ou não com as suas atividades. Ora, tal atitude indica que os proprietários têm como sobreviver e dar um tempo sem qualquer preocupação e sem terem que recorrer ao saque dos depósitos do FGTS – quando depositado – e do seguro-desemprego se preenchidas as condições, as únicas opções da classe trabalhadora. Fora isto, vemos aumentar o número de pedintes, de bandidos, de assaltos, de usuários de drogas, de guarda-carros e de vendedores ambulantes. Aí, o promotor e o prefeito chegam e fecham suas barracas. Aliás, sobre os barraqueiros, há algo estranho no ar: quem pagou uma taxa que não estava prevista na lei ficou dentro da lei provisoriamente e quem não tinha como pagar ficou fora da lei e teve o seu ganha-pão fechado. Dinheiro virou `habeas corpus` provisório? Será que não poderiam os patrões, reunidos com os seus empregados ou com suas lideranças, achar uma forma de continuarem mantendo os empregos mesmo que à custa de algum sacrifício de suas posses (aquelas que lhes possibilitam esperar tranquilamente os acontecimentos, às vezes ao custo dos direitos que não pagaram aos funcionários demitidos), para assegurar os postos de trabalhos, estudando-se em contrapartida e por parte do governo, alguma medida que faça a compensação da parte dos trabalhadores sem que estes tenham que renunciar a direitos, principalmente ao já minguado salário? Quem sabe um seguro/emprego em favor do patrão, ou uma aliviada compensatória na carga tributária, ou então uma pequena retirada no mensalão? Ou só se tem dinheiro para banqueiros, especuladores e mensaleiros? Que o jovem de hoje que a tudo isto assiste, tome consciência dos fatos, das suas causas/efeitos e das consequências e no futuro, ao assumirem as suas responsabilidades, saibam como proceder, procurando sempre fazer justiça, principalmente a social, com a qual todos terão uma vida melhor, mais sadia, mais moral e mais espiritual. Amém. Odorico Antônio Silva Advogado

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