A Prefeitura decidiu abandonar os projetos de reforma do Estádio “José Lancha Filho” e de construção da pista de atletismo do Ginásio Poliesportivo. O anúncio foi feito ontem, exatamente uma semana depois de a Câmara Municipal ter rejeitado o projeto do prefeito Sidnei Rocha (PSDB) que pedia o remanejamento de R$ 1,7 milhão do orçamento para diversas áreas.
O motivo alegado foi a falta de recursos originada pela não aprovação do projeto. Para muitos, a medida é vista como retaliação ao posicionamento dos vereadores, já que o prefeito, por lei municipal, tem direito a mexer, sem autorização do Legislativo, em 15% (R$ 51,3 milhões) do orçamento.
De acordo com a secretária de Urbanismo e Habitação, Valéria Marson, a Prefeitura dependia de autorização legislativa para poder investir R$ 250 mil em melhoria nas condições de segurança do Lanchão, hoje considerada deficiente. O estádio não tem um alvará definitivo e recebe autorizações individuais para funcionar em dias de jogos.
O projeto previa a instalação de corrimãos, guarda-corpo (proteção contra queda), isolamento de setores, luminárias de emergência, sinalização e extintores de incêndio. As obras constam de uma lista de exigências para que o local receba o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). A falta do documento, que atesta a segurança do estádio para o torcedor, pode resultar em implicações sérias em caso de uma vistoria rigorosa.
“Sem a aprovação do remanejamento da verba, nós corremos o risco de interdição do estádio municipal”, afirma Valéria Marson. Além das partidas da Francana, o Lanchão será o palco de abertura e sediará competições dos Jogos Regionais, previstos para acontecerem em Franca no período de 15 a 26 de julho.
No mesmo projeto rejeitado pela Câmara, a Prefeitura também pedia autorização para abrir créditos para receber R$ 195 mil do governo federal e fazer a contrapartida do município no valor de R$ 21,8 mil em obras no Ginásio Poliesportivo. Os recursos seriam usados para bancar os serviços de drenagem, terraplanagem e pavimentação da nova pista de atletismo.
As obras compõem as etapas de preparação para que a pista ganhe a manta especial de borracha. “Nós precisávamos da aprovação para poder encaminhar toda a documentação para o Ministério dos Esportes e finalizar o convênio. Como não houve a concordância, corremos o risco de perder este dinheiro, pois o prazo já venceu”, lamenta Valéria Marson.
O vereador Vanderlei Tristão, líder da bancada do PTB, acusada pela administração de ter sido o responsável pela reprovação do projeto, não acredita que os investimentos deixarão de ser feitos. Para ele, depende apenas do interesse da Prefeitura para executar as obras. “Não adianta querer imputar à Câmara uma falha que não foi nossa. É só apresentar um novo projeto na Câmara, até mesmo em regime de urgência, com as explicações necessárias sobre como será gasto este recurso, que vamos aprovar”.
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