‘Deveria ter sopa todo dia’, diz moradora


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Todas as terças-feiras, o Pró-Vida assume um compromisso muito aguardado pelos moradores do Jardim Santa Bárbara e bairros próximos. Voluntários preparam 160 litros de sopa para serem distribuídos a cem pessoas em média por dia. Os legumes, macarrão e carne são doados, além dos pães, por um grupo de voluntários da igreja. A entrega da sopa é feita sempre às 15 horas. O preparo começa duas horas antes. Por volta das 14 horas, a fila já começa a ser formada na porta da entidade. A faxineira Evanilda de Oliveira, 44, espera ansiosa pelo dia da sopa. Ela está desempregada e tem tentado sobreviver com R$ 130 da pensão paga pelo ex-marido. É mãe de três filhos de 16, 13 e 12 anos. Ela queria que a sopa fosse distribuída mais vezes. “É só uma vez por semana. Deveria ser todos os dias porque eu estou passando dificuldades. Às vezes, eu faço um macarrão para comer, mas estou passando necessidades”. As contas na casa dela estão atrasadas. “Como a água e energia é muito cara, R$ 130 não dá. Tenho de tirar o dinheiro do pão deles, pagar água, pagar luz, pagar IPTU e fazer a despesa da casa. Mesmo assim, ainda estou com três talões atrasados, está perto de cortar”. Maria de Lourdes Magalhães, 47, já esteve na posição de Evanilda. Sempre buscava a sopa para ela e os filhos, até que um dia resolveu mudar de lado. Aceitou o convite do Pró-Vida para ser voluntária. Não parou mais. Toda terça-feira fica na entidade das 13 às 16 horas ajudando a preparar a sopa e auxiliando a distribuição feita em fila e com senha. “Eu gosto de ajudar as pessoas. Eu acho bom as pessoas se unirem para ajudar ao próximo. Aqui tem poucos para ajudar”, disse ela, que ainda leva a sopa para casa.

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