Uma casa para cuidar da saúde, garantir refeições dos filhos, lutar contra os vícios e ensinar atividades para geração de renda. Esse é o amparo oferecido aos moradores no Jardim Santa Bárbara e bairros vizinhos, numa das regiões mais carentes de Franca. O trabalho é desenvolvido pelo Pró-Vida. O projeto existe há dez anos e atualmente beneficia cerca de 400 pessoas.
A Paróquia Sant’Ana e um grupo de 50 voluntários realizam a distribuição de leite doado pela Prefeitura a 82 crianças toda semana, prestam atendimento com psicóloga e farmacêutica e doam medicamentos à comunidade, além de distribuírem 160 litros de sopa e pães a famílias carentes todas as terças-feiras. A sede do Pró-Vida ainda abriga reuniões do Cerea (Centro de Recuperação de Alcoólatras de Franca), encontros para os líderes da Pastoral da Criança pesarem as crianças do bairro, cursos de bordado e pintura e distribuição de cestas básicas pelo Domingo Fraterno.
Ontem a fila na porta do Pró-Vida estava formada uma hora antes da distribuição de sopa e pães. Todos os presentes, incluindo várias crianças, aguardavam com vasilhames nas mãos o alimento preparado no mesmo dia. A faxineira desempregada Joana D’Arc de Oliveira, 52, moradora no Jardim Aeroporto III, estava com a neta Aline, 10. Há um ano, as duas procuram a entidade toda semana para ganhar a refeição.
Para a senhora, é uma oportunidade de economizar nas despesas da casa. “A gente busca porque gosta da sopa e porque necessita também. Eu não trabalho mais e não recebo nada. Eu estou sendo ajudada pelos outros. Então o dia que eu busco a sopa, me ajuda muito”. O marido dela e o filho de 23 anos também estão desempregados.
Na casa da neta, a situação não é muito diferente. “Minha filha mexe com bordado. Meu gen-ro está desempregado. Além dos dois, têm mais três filhos de 10, 4 e 2 anos. A sopa também ajuda muito eles”.
Helena Oliveira, 45, coordenadora do Pró-Vida, disse que a sopa distribuída pela entidade é essencial para garantir a refeição na mesa de muitos moradores do bairro. “A sopa é uma boa ajuda. O pessoal sempre reclama do desemprego, principalmente no fim do ano. Essa sopa supre muita coisa na casa das pessoas carentes”.
HISTÓRICO
O Pró-Vida foi criado pela irmã Maria Olina de Souza há dez anos. A freira esteve à frente dos trabalhos até seis anos atrás, mas se afastou das atividades por motivos familiares. Nos primeiros anos chegou a construir, com apoio de voluntários, pequenas casas para pessoas carentes morarem.
A Paróquia Sant’Ana assumiu o projeto. Foi construída a sede, com salão, cozinha e salas de reuniões no Jardim Santa Bárbara. A igreja paga a única funcionária da entidade. Os R$ 200 das contas de telefone, energia elétrica e água são pagos com a venda de roupas no bazar permanente do Pró-Vida.
Para o padre Marco Antônio Bognotti, da Paróquia Sant’Ana, o trabalho é nobre e precisa de mais voluntários para ser mantido e ampliado. “O Pró-Vida sempre prestou atendimento de maneira muito zelosa aos pobres. A demanda é muito grande e a mão-de-obra muito pouca. Não é só rezar. O serviço social é importante, é um gesto muito bonito com crianças, famílias destruídas, mães solteiras e doentes. Para nós é uma iniciativa de Deus”, disse.
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