Para alegria das mães e tristeza da maioria dos alunos, o ano letivo está se iniciando agora. As escolas particulares já estão em atividades desde a semana passada. A rede municipal deu a largada ontem. No entanto, os estudantes do Estado só voltam ao batente na próxima segunda-feira, dia 16.
Como o Carnaval tem início dia 20, sexta-feira, e a Quarta-feira de Cinzas sempre se apresenta meio lenta, principalmente no período da manhã, as aulas voltarão mesmo no dia 26, quinta-feira. Resta saber quantos alunos irão à escola nos dois últimos dias úteis de fevereiro. Provavelmente irão as crianças, que tanto cansam as mães durante as férias escolares e uns poucos adolescentes, que costumam fugir dos afazeres domésticos.
Em sendo assim, aula de verdade somente acontecerá no primeiro dia de março, como nos velhos tempos. Isso mesmo! O período escolar antigamente se iniciava oficialmente no terceiro mês do ano. Esta história de 200 dias letivos (deve ser para consumir muita merenda) começou na década passada. Instituíram mais 20 dias de aulas, mas, ao que parece, a aprendizagem diminuiu. A prova disso está no resultado dos exames de avaliação impostos pelo próprio governo.
O motivo pela baixa aprendizagem dos dias atuais passa por vários atalhos: má formação de professores, baixos salários na área educacional, pouca valorização do serviço docente, progressão continuada, proteção excessiva aos alunos, ausência de orientação educacional no lar, falta de exemplos de leitura e alguns outros fatores mais, que vão desviando o objetivo final da escola.
Atualmente, os alunos da rede estadual recebem lápis, caneta, borracha, caderno, cola, tesoura, livros, mochila e outros materiais escolares. Acredite, o intuito é melhorar a qualidade de ensino! Em contrapartida, eles valorizam muito pouco esse benefício. A falta de cuidado para com o material caracteriza-se como uma constante na vida da maioria dos estudantes.
Até a merenda vira brincadeira entre os pré-adolescentes. Quando servem maçãs durante o recreio, elas viram bolas de futebol entre muitos alunos. Não faz muito tempo, para se ter direito ao lanche na escola fazia-se necessário um cadastro antecipado na secretaria. Dependendo da renda familiar, o estudante podia receber um prato de sopa rala, um copo de leite, um pedaço de pão duro (ainda não havia o francês). Agora, todos recebem alimentação indiscriminadamente.
Hoje está tudo muito fácil. Merenda farta. Material escolar sobrando. O tempo atual mostra-se pródigo em desenvolver competências e habilidades. Não nos alunos, mas nos dirigentes das secretarias adequadas. Notícias recentes dão conta de que a área estudantil tem abastecimento constante de alimentação. O pessoal gestor não deixa faltar nada para aprimorar a aprendizagem. Seguem a máxima de que com fome ninguém aprende.
No entanto, há somente um pequeno detalhe. E não podia ser diferente. Quando a esmola é demais, até o santo desconfia! O Ministério Público Estadual iniciou investigação para apurar denúncia de fraude nas licitações de empresas privadas fornecedoras de merenda escolar na Capital. A suspeita também se estende para mais treze cidades do Interior paulista.
Se não colocarem pizza no cardápio, essa merenda ainda poderá dar azia!
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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