Na última Couromoda, quando visitava estandes de amigos e conhecidos das várias cidades nas quais presto a minha assistência, chamou-me a atenção a frequência com que uma pergunta sempre se repetia: `Viu o solado novo?`
Eu devolvia a pergunta: o que tem de novo neste solado? “O desenho! Não gostou?” Bem, o desenho se resumia a algumas linhas novas, ranhuras em diagonal, um pouco mais profundas, uma flor estilizada.
Enfim, de novo, realmente novo, não havia nada. Um solado “novo” deveria ter um desenho radicalmente novo, ser antiderrapante, ser feito de um material diferente, seja lá TR, PU, EVA, TPU ou borracha natural, mas diferente! Poderia ter densidade diferente, duas densidades, combinação de dois materiais a exemplo de couro com borracha, mas, antes de tudo, ser de fato diferente!
Gastam-se verdadeiras fortunas (que depois faltam no capital de giro) imobilizadas em matrizes que, às vezes, nem são usadas ou são usadas para prensar ou injetar um número tão baixo de solas que os lucros com a venda deste calçado não pagam nem o serviço do maqueteiro. Ainda assim a obsessão com os solados diferentes continua.
Os donos das fábricas que vivem esta obsessão poderiam exorcizá-la passando algumas horas observando o comportamento de clientes na loja na hora de comprar ou experimentar o calçado.
O balconista abre a caixa, mas nunca, nunca mesmo, chama a atenção do cliente para a sola. O cliente pega o calçado na mão, de passagem toma conhecimento que o calçado tem realmente uma sola e calça o sapato. Dá uns passos, chega perto do espelho em ângulo para ver como o calçado ficou no pé.
O que menos vê é a sola e, sentindo-se confortável, compra o calçado. E a sola, orgulho do dono da fábrica, onde é que ficou?
Se isso fosse ponto final da história, ainda poderia ser aceito. Acontece que não é.
O calçado foi vendido na feira e como só foi feito um tamanho da matriz, para confeccionar a amostra, começa a correria contra o tempo para fazer o resto da coleção!
Mas já que os outros fabricantes agiram do mesmo modo, as matrizarias se veem entupidas de pedidos para ontem. E a entrega de matrizes demora e demora e demora...
Enquanto isso os compradores reclamam do atraso na entrega dos pedidos.
Os representantes, por sua vez, dizem aos fabricantes: “como podem esperar novas vendas e novos pedidos se ainda não entregaram o que foi vendido na feira?”
O mais triste da história é que ela se repete invariavelmente em todos os eventos.
O pessoal não aprende.
Até para acostumar leva tempo demais. Mas viva o solado novo!
ADAPTAÇÃO
A Reebok, que hoje pertence à Adidas, demitiu 300 funcionários na América do Norte e América Latina para anular efeito da baixa de 15% nas vendas do quarto trimestre de 2008.
A intenção é manter intacto o quadro dos funcionários na Alemanha e no resto da Europa, pelo menos por enquanto.
DEFINITIVO
A Artecola fechou a unidade de Candelária (RS), com perda de 130 postos de trabalho. A fábrica produzia cabedais de calçado de segurança para a Europa e foi atingida pelo cancelamento de pedidos. O fechamento da fábrica é em caráter definitivo.
SAÚDE DO PÉS
Feira de calçados de Sidney, Austrália, que se realiza de 13 a 15 de fevereiro, focaliza como tema principal a saúde dos pés, com participação especial de podólogos e ortopedistas, mas também dedica atenção à profitabilidade dos produtos para os industriais dos calçados.
MAIS DESEMPREGO
A Brown Shoes, bem conhecida nos meios francanos, anunciou como parte das medidas preventivas para a crise que assola o comércio mundial, que as economias planejadas para o ano de 2009 devem atingir 107 milhões de dólares.
A parte desagradável destas economias é a redução dos empregos, que deve representar de 14 a 17% nas lojas e nas unidades de distribuição.
GORE-TEX
A unidade de desenvolvimento da Bata Safety Shoes em Best, Holanda, apresentou novos tipos de calçado de segurança com a tecnologia Gore-Tex, que proporciona proteção aos pés contra a água e frio. Junto com este desenvolvimento foi apresentado o novo solado antiderrapante Easy Rolling System.
Zdenek Pracuch
Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br
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