O número de francanos que procuram atendimento médico nas 14 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da cidade cresceu em média 15% - pelo menos 2 mil pacientes a mais - nos últimos dois meses. O motivo, apontado pela Secretaria Municipal de Saúde, é a “migração” dos pacientes de convênios para a rede pública, movimento que pode ser explicado pelo número de demissões na cidade registrado pelo Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego): apenas em dezembro, 11 mil trabalhadores ficaram sem emprego em Franca.
A demanda maior fez com que a espera por uma consulta com um clínico-geral pulasse de três para até 15 dias. A situação do atendimento é pior nos bairros com grande concentração populacional, como Vila São Sebastião, Jardins Aeroporto e Paulistano e Leporace. A maioria dos pacientes “extras” procura atendimento especializado - oftalmologista, cardiologista, neurologista, etc. -, mas, para ser encaminhada ao NGA (Núcleo de Gestão Assistencial), onde este tipo de atendimento é prestado, precisa antes passar por um clínico-geral na UBS.
Para o secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, o aumento da demanda na rede pública está diretamente ligado às demissões ocorridas no fim do ano passado. “Temos um movimento normal que acompanha a sazonalidade do emprego na indústria calçadista, mas em 2008 foi pior”, disse.
Ferreira prevê ainda um agravamento da situação nos próximos meses até que a Prefeitura realize um concurso para a contratação de 11 novos médicos. “Os 44 clínicos que temos atualmente não são mais suficientes. As consultas começaram a ser marcadas cada vez mais para frente. Se continuar assim, no meio do ano, as pessoas estarão esperando um mês pela consulta. Estamos trabalhando para que isso não aconteça”.
A dona de casa Leila da Silva, 29, é uma das que sofrem os efeitos do aumento na demanda. Ela tentou “passar” pelo clínico na UBS do Ângela Rosa, mas não conseguiu. Quando chegou às 5h50 havia mais de 50 pessoas na fila. “O posto abre às 7 horas, mas antes disso eu já sabia que não ia dar”, lamentou Leila, que ainda não conseguiu atendimento.
O técnico em segurança Carlos César da Silva, 45 anos, desistiu depois de duas tentativas. “Nos dois dias, cheguei à UBS do Guanabara às 5h30 e não consegui. Como estava com um problema sério no canal urinário, achei melhor não arriscar e paguei R$ 150 por uma consulta particular com um urologista”, disse.
Já a sapateira Keity Cristina Ceribeli, 24, conseguiu marcar sua consulta ontem, mas não teve seu problema resolvido ainda. Depois de ir duas vezes ao Pronto-socorro “Dr. Janjão” com fortes dores de cabeça, Keity foi encaminhada para a UBS do Paulistano. “Estou sofrendo há mais de um mês e eles marcaram minha consulta com o neurologista no NGA para o dia 25”, lamentou desanimada.
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