A aposentada Edna Aparecida Silva Oliveira, 62, moradora no Centro de São José da Bela Vista, foi internada em estado grave no CTI (Centro de Terapia Intensivo) da Santa Casa de Franca, com traumatismo craniano, depois de ser atacada por ladrões na madrugada de domingo enquanto dormia em um sofá de sua casa. Dois suspeitos foram detidos ontem pela polícia. Uma tábua de cortar carne foi utilizada na agressão.
A mulher foi encontrada horas depois do crime pelo filho, o auxiliar de serviços RCO, 22. O jovem saiu de casa pouco depois das 23 horas de sábado para comemorar o aniversário de uma amiga. Por volta das 4h30, quando retornou, viu a mãe no sofá e estranhou o fato de chamá-la e ela não responder. "Ela não respondeu. Puxei o braço e vi o sangue na cabeça dela", disse.
Desesperado, RCO chamou socorro e a aposentada foi trazida para Franca às pressas. As agressões causaram traumatismo craniano e chegaram a causar perda de massa encefálica. Seu estado foi definido pelo hospital, no fim da noite de ontem, como "muito grave". RCO disse que "só um milagre" pode salvar sua mãe. "Ela está lutando para viver", afirmou, emocionado.
Enquanto Edna era socorrida, a polícia trabalhava em busca dos autores da agressão. Apurou-se que o único bem levado da casa da aposentada foi o telefone celular da vítima. E foi justamente o aparelho que ajudou a polícia a localizar os suspeitos pelo crime.
Um dos acusados, o desempregado EFOM, 21 anos, ficou com o chip pertencente a Edna e, com ele, efetuou várias chamadas. Como a filha da vítima tinha os seus dados cadastrais, foi possível fazer o rastreamento das ligações junto à operadora. "Ele usou o telefone na noite de domingo. Falou com a namorada, com uma amiga e outras pessoas", disse o investigador Massimo.
EFOM, em seu depoimento inicial, disse que o chip era um "presente" que ele havia recebido. Mais tarde, mudou a versão: afirmou que foi cobrar uma dívida - cujo valor não foi especificado pela polícia - do também desempregado MTVS, 19, e este teria proposto realizar o furto em uma residência para pagar a dívida. EFOM disse à polícia ter aceitado a oferta.
Ainda segundo seu depoimento, EFOM disse que pulou o muro dos fundos da casa da aposentada, enquanto o comparsa entrou pela porta da frente. Segundo sua versão, quando chegou à sala, Edna já havia sido agredida com a tábua de carne - descartada em um terreno durante a fuga. "Perguntei o que ele havia feito", disse o desempregado aos policiais.
Policiais militares e civis, que trabalharam em conjunto no caso, conseguiram localizar o segundo acusado pouco depois das 21 horas de ontem. Na delegacia, MTVS negou as acusações e disse que estava dormindo no momento do crime.
Como não foram presos em flagrante, os dois foram ouvidos e liberados para responder ao inquérito em liberdade.
VIDA PACATA
Viúva, dois filhos, quatro netos. Edna de Oliveira, segundo a família, é uma pessoa pacata e não tem desafetos. Também não vinha recebendo nenhum tipo de ameaça.
A aposentada dividia seu tempo entre os afazeres do lar, onde mora com o filho RCO, e o trabalho na Pastoral da Liturgia, em que é a coordenadora, função que faz dela muito conhecida em toda a cidade. "Não havia motivo para fazerem isto", declarou RCO, revoltado, "Foi um ato de covardia com ela", completou.
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