Ter o cabelo beeem liso é o sonho de grande parte das adolescentes que têm as madeixas crespas, cacheadas ou só levemente onduladas. Com idades entre 12 e 18 anos, não saem de casa sem que os fios estejam “domados”. A grande aliada de todas elas nessa tarefa é a famosa chapinha (que altera a estrutura do cabelo com ajuda do calor).
O acessório é um sucesso. Nem mesmo a possibilidade de uma reação alérgica ou o risco do ressecamento dos fios impedem as meninas de adotarem o método para se sentirem mais "belas" e satisfeitas com o próprio visual. A estudante Paula Lima, 18, é uma adepta. "Todos os dias eu faço, pois tenho o cabelo enrolado. Faço não porque gosto que ele fique totalmente liso, mas para tirar o volume. Sem alisar fica muito armado", explicou. Em ocasiões especiais, ela recorre ao cabeleireiro.
A rotina de vaidade começa cedo entre as meninas. Jamille Neves Cordeiro, 11, já frequenta o salão de beleza desde os 7 anos. "Ia com minha mãe. Comecei a gostar e pedir para ela deixar eu arrumar meu cabelo”, disse. Hoje Jamille tem chapinha em casa, alisa os cabelos em média cinco vezes por semana e pinta as pontas mensalmente. "Sou liberal nessa área, tenho outra filha de 14 anos e acho que se elas cuidarem direitinho, não tem problema nenhum, o importante é elas se sentirem bem", disse a mãe, Genecilda Nogueira.
Com a estudante Carolina Miné dos Reis, 11, não foi diferente. Depois de muita insistência ela ganhou dos pais sua primeira chapinha. Vaidosa, atualmente acorda mais cedo para ter tempo de alisar o cabelo antes de ir para a escola. "Entro 7h10 da manhã e levanto às 6 horas para começar a fazer. Adoro mexer com meu cabelo, mas não gosto de sair de casa com ele cacheado não. Todo o meu esforço vale a pena", disse.
De uma forma geral, o cuidado com a aparência é estimulado pelos pais. Até aí, tudo bem. O problema é que poucos sabem dos riscos da “chapinha precoce”. Por terem a pele mais fina e sensível do que a de mulheres adultas, o uso de aparelhos e produtos químicos nos cabelos das adolescentes pode ser prejudicial à saúde. "A pele e o couro cabeludo não estão suficientemente maduros para uma defesa adequada contra a agressividade como a da chapinha, por exemplo. Quanto mais cedo agredir o cabelo, pior eles podem ficar no futuro", disse a dermatologista Andrezza Camarinha Barcelos.
As consequências podem ser desde dermatites de contato (que causam feridas e coceiras), até mesmo complicações como infecções bacterianas graves que podem gerar quedas e falhas no couro cabeludo. "Trabalho há dez anos nesta área e não há um grande número de casos. Mas, nos últimos anos, as ocorrências estão mais frequentes e os pais devem ficar atentos às práticas de beleza usadas pelos filhos".
Ainda não existe um estudo sobre a idade indicada para o uso da chapinha ou de produtos químicos nos cabelos, mas a dermatologista afirma que os casos mais frequentes de irritação na pele ocorrem em garotas abaixo dos 18 anos. "As alergias podem acontecer em qualquer idade, mas são mais comuns nos mais jovens. O que sabemos é que a partir dos 18 a pele está mais madura, essa é a idade mínima mais segura", finalizou.
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