A invasão dos ‘bixos’


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DIA DOS ‘BIXOS’ - O estudante Leonardo Teles faz “pedágio” na Avenida Doutor Ismael Alonso Y Alonso na manhã de ontem: cidade tem cerca de 3,9 mil calouros que invadiram os semáforos para comemorar o início das aulas
DIA DOS ‘BIXOS’ - O estudante Leonardo Teles faz “pedágio” na Avenida Doutor Ismael Alonso Y Alonso na manhã de ontem: cidade tem cerca de 3,9 mil calouros que invadiram os semáforos para comemorar o início das aulas
Eles são vistos de longe. Ficam em grupos de dez a 20 pessoas nas esquinas das principais avenidas de Franca. Pintados com guache, de cabelos raspados e com restos de ovo, café e até cola na cabeça, se arriscam entre os carros pedindo dinheiro, balas, cigarro ou qualquer objeto para entregarem aos veteranos. Há duas semanas, a chegada dos “bixos” e “bixetes” a Franca mudou o cenário nos semáforos. A cidade tem mais de 3.900 universitários no primeiro ano. A tradição de pintar os novatos com guache e fazer “pedágios” (pedir dinheiro nas esquinas para usar em festas) é vista como brincadeira pelos jovens, mas tem irritado muitos francanos. Motoristas relatam que os universitários chegaram a se sentar no capô de seus carros e jogar farinha na lataria dos veículos. No cruzamento das Avenidas Major Nicácio com Presidente Vargas, taxistas e entregadores de panfletos estão revoltados com os estudantes. “Eu estou aqui trabalhando e eles atrapalhando. Eu trato de quatro filhos com o meu salário. Ouvi eles falarem: ‘daqui a pouco a gente vai beber uma’. Eu acho que é uma injustiça a gente trabalhando e eles pedindo dinheiro”, disse Jamilton Ramos, 45, que entrega panfletos na Major Nicácio. Uma comerciante da mesma avenida, que preferiu não se identificar, também se queixa dos gritos e da sujeira deixada pelos alunos. “Eles fazem muita algazarra. Estão aqui todos os dias, de manhã e à noite. Vão embora e deixam sacos de lixo, cascas de ovos e tinta pelo chão. O problema é que não existe lei que os proíba disso”. Ontem mais de 20 universitários estavam em frente ao estabelecimento em que ela trabalha, abordando os carros. Eles também se concentraram na Avenida Doutor Ismael Alonso Y Alonso, na esquina com a Rua Simão Caleiro. Grupos se formaram nas duas pistas da avenida. Os “bixos” estavam todos pintados; os homens, sem camisa. Os veteranos chegaram a colocar bebidas (alcoólicas) na boca dos novatos. A Polícia Militar foi chamada para comparecer em vários pontos onde estavam sendo realizados trotes. Os policiais foram chamados por motoristas que passaram pelas ruas e perceberam o perigo de acidentes. Os estudantes ficam no meio da rua, correm em ziguezague entre os carros e nem sempre liberam a passagem dos carros quando o semáforo fica verde. Não foram registradas ocorrências; os policiais apenas advertiram os jovens. Na Faculdade de Direito, a turma da estudante Aline Salgado, 18, não teve aulas no primeiro dia. O professor fez uma breve apresentação e logo liberou os alunos. Os veteranos já os esperavam para o trote. Os calouros foram levados para a Avenida Ismael Alonso Y Alonso. “Assim que saímos da classe, começou a sujeira. Jogaram café na minha cabeça e um tubo de cola. Acho que às vezes o trote é um pouco exagerado. Os meninos sofrem ainda mais. Mas violência não teve. É só sujeira mesmo”, disse ela, com o rosto, pescoço e até os brincos e orelha pintados com tinta amarela. TROTE SOLIDÁRIO Mais de 15 mil estudantes da Unifran (Universidade de Franca), Faculdade de Direito e Uni-Facef iniciaram o ano letivo ontem. As aulas dos 1.850 estudantes da Unesp começarão no dia 9 de março. O Uni-Facef realizará o trote solidário entre os 650 estudantes dos primeiros anos no dia 13 de março. Dentre as provas haverá arrecadação de alimentos, doação de sangue e concurso de apresentações artísticas. O curso vencedor ganhará um churrasco.

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