Missão: evangelizar


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Vivemos correndo de um lado para o outro, possuindo uma agenda repleta de compromissos sem condição de cumprir tudo, vivemos cansados. No corre-corre da vida quase perdemos alguns valores que são essenciais para nós e assim nos desgastamos. Chega um dia que nossa consciência é iluminada e novos rumos são assumidos. A luz da Palavra de Deus quer iluminar nossa vida neste domingo. Vejamos. A primeira leitura é um trecho do livro de Jó. No livro de Jó trata-se do problema que causou angústias para os homens de todos os tempos: por que há no mundo tantas pessoas que sofrem? A história de Jó foi escrita para projetar um raio de luz sobre esse enigma. Jó é um servo de Deus, que vive rico e feliz num distante país do Oriente; é bondoso, generoso, fiel ao Senhor, mas repentinamente tombam sobre ele as maiores desgraças: perde os filhos e a fortuna e é golpeado por uma doença dolorosa e repugnante. Até sua própria esposa sente-se mal ao vê-lo. Para Jó a sua dramática experiência é uma confirmação de que a vida não passa de um mar de sofrimentos. Alimentar esperanças que as coisas possam mudar? É um sonho, uma vã ilusão. Ele grita, pede socorro, reclama, abre seu coração, partilha seu sofrimento. Aparentemente parece desesperado, mas, na verdade é um modo de rezar àquele que tudo pode e que tem poder de esclarecer o que este homem não consegue entender. A vida de Jó é parecida com a nossa, a sua atitude deve ser copiada por nós, pois ele recorreu a Deus que é forte e o sustentaria. A oração de Jó é composta de gritos e lágrimas. Não esqueçamos: quem grita e chora, embora não o saiba, está invocando a Deus. O evangelho é mais um trecho de São Marcos. Antes de Cristo os homens tentaram de muitas maneiras encontrar uma solução para o problema da dor, sem conseguir. No trecho do evangelho vemos de que modo Jesus se defronta com essa realidade. Com a sua interferência dá uma primeira e inquestionável resposta: o mal existe, mas não é invencível. Pode e deve ser derrotado. Neste evangelho é descrito o primeiro encontro de Jesus com a miséria humana: saindo da sinagoga, entra na casa e encontra a sogra de Simão, que está acamada, com febre. Os doentes e possuídos pelo demônio se apresentam no seu caminho. Jesus sabe que em todos os lugares há pessoas necessitadas da sua ajuda. Ele dá o exemplo de como solucionar: a única atitude a ser assumida é a de colocar-se ao lado de quem sofre e lutar com todas as próprias forças contra o mal. Quando lhe falam da doença da sogra de Pedro, ele não foge, mas se aproxima, toma-a pela mão, ergue-a e curada começa a servi-los. O gesto de Jesus recobra-lhe a liberdade. Nossa missão de cristãos é a de repetir os gestos do Mestre: aproximar-se daqueles que não têm forças para manter-se de pé e erguê-los da condição desumana na qual se encontram. E quem é curado torna-se disponível para que outros necessitados de apoio sintam-se ajudados. Jesus cura outros males. O sentido destas curas é muito diferente de simples milagre. Em tudo que realizou em prol do homem, Jesus revela que, com sua vinda, começou um mundo novo do qual será eliminada qualquer forma de dor. O reino do mal, tudo aquilo que impede o homem de ser verdadeiramente homem, já começou a ser combatido e derrotado. O trabalho foi lançado por Jesus e recai sobre nós a responsabilidade de tornar real esta nova humanidade. Tentemos imaginar o que aconteceria se todos os homens se dispusessem a aderir a Cristo: em vez de lutar, de alimentar ódios e guerras, uniriam todos os esforços e capacidades e os colocariam a serviço das boas causas e dos irmãos. Em pouco tempo despontaria um mundo renovado e começariam a desaparecer a fome, as doenças e os sofrimentos. Os nossos problemas neste mundo nunca serão totalmente resolvidos. O mundo sem dramas, sem inquietações, sem doenças, sem morte, não é este mundo atual, mas o futuro. Somente a oração pode nos iluminar sobre o sentido da dor, pois a oração é o encontro com Deus que nos permite enxergar o homem e os seus problemas como ele os vê. Pela segunda leitura, um trecho da 1ª Carta de Paulo aos cristãos de Corinto nota-se que o melhor serviço que podemos prestar a uma pessoa é o de lhe anunciar o evangelho, pois a Palavra de Deus transforma o coração das pessoas, dá um novo sentido à vida, comunica a alegria de viver, infunde uma paz sem limites. O anúncio do evangelho liberta o homem de todos os males produzindo despojamento e permanente desapego em quem anuncia. Lembrando do início dessa reflexão: só correr a vida inteira? Corre melhor, lucra mais e tem maior disponibilidade aquele que enxerga a vida com novo olhar: a regra da vida é a solidariedade. CONSCIENTIZAÇÃO O trabalho evangelizador da Campanha da Fraternidade se realizará durante a Quaresma. Durante as missas, no ensino religioso ministrado nas escolas, com palestras e dias de oração, por meio de pessoas envolvidas nestas áreas, é que a Igreja fará uma ampla reflexão tentando ajudar para que novos sinais de paz apareçam. Na Catedral o trabalho de conscientização se dará durante as missas dominicais com pronunciamentos feitos por juízes, promotores, advogados e delegados de nossa cidade que estão sendo convidados. PENSAMENTO "Recebestes de graça, de graça dai" (Mt 10, 8) José Geraldo Segantin Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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