Garagens do Leporace viram shopping a céu aberto


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COMÉRCIO INFORMAL - Lojas de diferentes segmentos disputam o espaço que seria de garagens dos prédios da CDHU
COMÉRCIO INFORMAL - Lojas de diferentes segmentos disputam o espaço que seria de garagens dos prédios da CDHU
Ninguém sabe ao certo quem teve a idéia, nem mesmo como ou quando começou. Mas fato é que os espaços destinados às garagens dos prédios da CDHU (Companhia do Desenvolvimento Habitacional Urbano) na Avenida Abrahão Brickmann, no Leporace, são hoje um dos mais poderosos corredores comerciais da cidade. Somente nestes espaços são 174 estabelecimentos - de 40 segmentos distintos. Para se ter uma idéia, mais que o dobro das cerca de 80 lojas do Franca Shopping e não muito distante das 360 filiadas à Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca). A variedade de lojas na maior avenida do Leporace também chama a atenção. As mais comuns são as de roupas (29) e os salões de cabeleireiros (26). Mas também é possível encontrar produtos para informática, telefonia, oficinas, restaurantes e até um escritório de advocacia. Os pontos comerciais têm tamanhos variados. Alguns contam com três metros de fachada, enquanto outros chegam a oito, dez metros. Cores - algumas gritantes - também não faltam, assim como placas e banners anunciando promoções. É possível encontrar desde lojas com acabamento fino (com direito a pintura grafiato e sancas em gesso) a outras com piso de cimento queimado e paredes pintadas com cal. Em comum, as improvisações nas ligações de energia elétrica e água. Geralmente, só existem graças a acordos informais com moradores dos prédios, que “anexam” os cômodos aos seus apartamentos. Mas, independente da aparência do estabelecimento, ninguém reclama. A região do Leporace é populosa e há mercado para todos. Grande parte dos comerciantes tem as lojas como principal - ou única - fonte de renda familiar. Casado e pai de quatro filhos, Melquesedeque Mendes, 41, trabalhou como empregado em bicicletarias boa parte de sua vida. [FOTO2] Há seis anos, montou no espaço destinado à garagem de seu apartamento o sonhado negócio próprio. Não revela quanto fatura, mas afirma que tem, hoje, mais de dois mil itens para vender. “A minha renda vem daqui. Dá para sobreviver e pagar a prestação (do apartamento), que é mais de R$ 200”, disse. Mesmo quem ainda não se firmou e não conta com espaço próprio diz estar satisfeito em trabalhar na Abrahão Brickmann. Há seis meses, Priscilla Cristina Vicente, 25, deixou seu emprego de vendedora e montou uma loja de roupas. Com apoio do marido, que trabalha em uma revenda de pneus, caprichou no visual do ponto - pelo qual paga R$ 300 de aluguel por mês - e tem formado freguesia rapidamente. “Sai uma média de cinco vendinhas por dia”. Se dá dinheiro? “Lucro só em um ano, um ano e pouco. Agora é só investir”.

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