Ramones, Deep Purple, Bad Religion, Black Sabbath, Dragonforce. Bandas de tempos e estilos diferentes, algumas inexistentes, mas todas tocam em um megashow. E que acontece na sua casa. Qualquer um pode participar acompanhando guitarristas famosos como Slash, Johnny Ramone, Tony Iommi, Tom Morello.
Isso é um resumo bem simples, mas o principal motivo que apaixona os fãs de um game, o game Guitar Hero. Ele foi lançado em 2005 nos Estados Unidos e no Brasil chegou no segundo semestre do ano seguinte. Franca faz parte da megaturnê do jogo e já tem programado até torneio para o dia 20 e 21 deste mês, no Franca Shopping. Sem divulgação, 20 "músicos" se inscreveram em dois dias. No mesmo lugar, um torneio de futebol precisou de divulgação nas rádios e "só" reuniu 40 participantes.
Os atrativos não são apenas as músicas. As plataformas XBox 360, Playstation 2 e 3 e Wii são compatíveis para jogar com o controle do console ou em uma imitação de guitarra ou bateria. A transmissão de dados nas imitações é sem fio, para deixar o astro à vontade no seu "show". No computador, só com o teclado se pode jogar.
Para sair tocando músicas épicas como Smoke on the Water ou I Love Rock `n Roll, o guitarrista precisa apertar os botões do controle, da guitarra e da bateria em simultaneidade aos que aparecem na tela. Esses botões virtuais são como os acordes da música e estão divididos em cores para que o jogador saiba qual deve apertar.
Como fazer parceria com ídolos ilustres do rock ficou tão fácil, a proposta só podia se tornar um sucesso estrondoso. Existem nove versões e o Guitar Hero III, lançado em 2007, conseguiu um faturamento de US$ 1 bilhão, sem contar as versões piratas. Nunca um game tinha atingido essa marca.
A idéia de poder tocar como ou com um astro surgiu em 2005, com o Guitar Freaks, da fabricante japonesa Konami. O produto não foi lançado mundialmente. A partir do Freaks, a norte-americana Harmonix desenvolveu o GH, que foi distribuído pela RedOctane em parceria com a Activision, que está no mercado desde a época do Atari e tem em seu catálogo jogos como Grand Thief Auto. Depois da Harmonix, outra empresa, a Neversoft, assumiu a produção. Os fãs do rock agradeceram.
Sabrina Faceroli Tridico, 14, conhece toda a história do Guns N` Roses. Ela tem os CDs e é claro consegue tocar ao lado do vocalista do grupo, Axl Rose. Na edição GH III, é possível desafiar o ex-guitarrista da banda, Slash. "Eu já ganhei do Slash. Lá em casa todo mundo joga. Meu irmão de 28 anos, minha irmã de 23. Minha mãe adorou, porque não tem sangue, nem morte", conta ela, que tem tatuagem da banda na perna.
Nathael Boni, 14, tem uma guitarra para o Playstation 2 e treina sempre. "No meu quarto eu jogo muito e estou bem", diz ele, que consegue atuar no modo semiprofissional. Ainda existem os modos iniciante, o intermediário e o pró. O que altera em cada um dos níveis é o número de acordes disponíveis para tocar.
"Comprei um Play 2 só para jogar o Guitar Hero. Fiquei conhecendo muitas bandas. Precisei vender o meu videogame e para não ficar sem jogar, vou a uma locadora perto de casa", revela Palmer Franco, 18. O jogo é um sucesso até entre os mais velhos. Luís Castaldi Neto, 31, disse que na sua casa só há dois jogos. "Ou o de futebol ou o Guitar Hero. Meu filho de 9 anos só joga isso e eu também, apesar que gosto mais de futebol", declarou.
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