‘Ela sempre deu queixas, mas não adiantou’


| Tempo de leitura: 2 min
A dona de casa Maria das Dores da Silva, 70, teve sete filhos. Viu a segunda filha se casar aos 16 anos, ter três filhos e viver uma relação conturbada com o marido. No dia 20 de dezembro de 2006 assistiu ao assassinato da filha. Nádia da Silva, 42, foi morta com dois tiros na cabeça pelo ex-marido José Carlos Miranda, 48, que se matou em seguida. "Ele chegou e avisou para ela: `eu vim te buscar`. Ela ajoelhou na frente dele e ele atirou. Depois se matou. Eu só vi sangue para todo lado", disse, chorando. José Carlos tinha um ciúme doentio de Nádia. Sempre brigava com ela e a agredia com chutes. Ela chegou a se separar várias vezes, mas ele sempre ameaçava matar os filhos se ela não reatasse o relacionamento. Nádia, muitas vezes acompanhada da mãe, esteve nas delegacias para pedir socorro. Não adiantou. "A gente rezava muito. Fomos várias vezes na polícia mas não adiantou. Na DDM, uma vez, a doutora Graciela mandou ela fugir, mas como ela ia fugir? Se fugisse com os filhos ele iria ameaçar o resto da família. Por isso ela ficou". Maria das Dores também foi vítima de José Carlos. Em abril de 2005, foi seqüestrada por ele, que a ameaçou o tempo todo com um revólver. Foram 13 horas de terror. Ele foi preso, mas se livrou das grades rápido. "Ele pegou dez anos de cadeia, mas ficou fechado só 11 meses. Ele saiu e matou a Nádia". A delegada Graciela Ambrósio consultou as queixas de Nádia na DDM. Existem duas denúncias de ameaças feitas em maio de 2005 e em julho de 2006. "Precisava ter mais detalhes sobre o caso. Mas as datas de denúncias aqui na DDM são anteriores à Lei Maria da Penha. Antes dessa lei, a violência doméstica era muito banalizada, não autorizava prisão em flagrante".

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários