A única assistente social que trabalhava na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) foi transferida. Depois de passar os últimos dez anos atuando na delegacia - onde atendia cerca de 400 pessoas vitimizadas por mês -, Ana Fátima Aparecida Faleiros, 46, agora é funcionária da Secretaria de Saúde e ficará responsável por avaliar as condições financeiras de quem solicita medicamentos de alto custo na Prefeitura.
Ana Fátima só recebeu o comunicado de que teria de deixar seu posto três dias antes de terminarem suas férias. Não houve telefonemas ou explicações. Apenas uma folha convocando-a para se apresentar ao secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, no último dia 2. A DDM está desfalcada desde essa data. Não há previsão de quando - ou se - a servidora removida será substituída.
A mudança ocorre no mesmo momento em que a “guerra fria” travada entre a delegada da DDM e também vereadora Graciela Ambrósio (PP) e o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) se acirrou. O clima entre os dois é de franca oposição. A vereadora não perde oportunidades de criticar o prefeito.
A ordem de transferência da assistente foi assinada pelo secretário de Administração Jerônimo Sérgio Pinto, que negou qualquer motivação política. “Nossa prioridade com essa decisão foi amenizar os impactos financeiros com os quais estamos arcando por omissão do Estado (no pagamento de medicamentos de alto custo). Não estou preocupado com a Graciela. Estou preocupado com o Estado. Se a assistente estivesse na delegacia seccional, também seria transferida”.
Para justificar a sua postura, Jerônimo diz que a Secretaria Municipal de Saúde tem sido obrigada a arcar com altos custos de fornecimento de medicamentos a pessoas com condições financeiras de comprá-los. É justamente para evitar que isso ocorra que Ana Fátima assumirá a triagem dos pacientes que ingressarem com ações na Justiça para requerer a medicação.
Sobre uma possível substituição da assistente social, Jerônimo foi categórico. “O Estado que o faça. Ela é uma servidora da Prefeitura que estava cedida. Agora precisamos dela em outro serviço. O Estado tem toda uma estrutura de servidores que pode muito bem numa emergência alocar servidores para ajudar a Graciela”.
A Prefeitura possui 81 assistentes sociais contratadas, com salário médio de R$ 2 mil. Elas atuam nos Crass (Centros de Referência e Assistência Social) e UBSs (Unidades Básicas de Saúde). “Não tinha outra assistente social para atender a Secretaria de Saúde. Não vou desfalcar uma UBS para suprir a necessidade da DDM”, disse Jerônimo.
Ana Fátima lamentou a remoção. “Questionei a troca, mas disseram que sempre ocorre. Gostava do trabalho na delegacia, mas sou concursada e tenho de trabalhar de qualquer forma”, disse ela, conformada.
Graciela Ambrósio (PP) disse não ter sido comunicada sobre a transferência da funcionária. “Só soube na quinta-feira porque Ana Fátima me telefonou”. A delegada enviará um ofício para o prefeito Sidnei Rocha pedindo explicações. “Quero que esclareça os motivos de ter tirado a assistente social da DDM. Cuidamos de famílias, mulheres, maridos e crianças. A assistente fazia um trabalho importante de reconciliação, acompanhamento e encaminhamentos dessas pessoas, ajudando na prevenção de crimes”, disse a delegada.
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